São Paulo - Quase metade das indústrias (48%) pretende ampliar os investimentos neste ano, enquanto 17% projetam que haverá uma diminuição no valor dos aportes, de acordo com sondagem divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A melhora do ambiente dos negócios, a elevação do nível de utilização da capacidade instalada e da confiança dos empresários se refletiram nas previsões. As projeções para 2010 em todos os quesitos pesquisados, que incluem ainda faturamento e pessoal ocupado, são mais favoráveis do que as feitas para 2009, quando o setor foi fortemente afetado pela crise internacional, mas ainda são inferiores às previstas para 2008.

A expansão mais acentuada na previsão de investimentos foi registrada em bens duráveis de consumo, cujo percentual de aumento é o maior da série (58%). A elevação da renda, a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em alguns segmentos e as condições favoráveis do crédito devem sustentar o dinamismo do setor, de acordo com a FGV.

Em bens de capital, que reflete o aumento de investimentos em máquinas e equipamentos, 14 dos 21 gêneros pesquisados apresentaram previsões (diferença entre os percentuais de aumento de investimentos menos os de redução) superiores às de 2009, e sete, inferiores. Na comparação com o previsto para 2008, apenas cinco gêneros, voltados para o mercado interno, superam os resultados daquela época.

O setor está sendo influenciado pela política de incentivos do governo, como desonerações tributárias e pelo Programa de Sustentação dos Investimentos do BNDES, que oferece uma linha de crédito a juros baixos e prazos longos.

Neste ano, pela primeira vez, a faixa que atingiu o maior percentual, entre os empresários que pretendem ampliar os investimentos, é a de expansão acima de 20% - apontada por 33% dos entrevistados. O crescimento entre 10,1% e 20% é previsto por 20% das empresas, enquanto 32% preveem crescimento entre 5,1% e 10%. Outros 15% esperam aumento entre 0,1% e 5%.

Modernização tecnológica

Uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), no final do ano passado, apontou que os empresários paranaenses pretendem priorizar os investimentos para aumentar sua produtividade. Investir em modernização tecnológica e melhoria dos processos também foram citados entre os entrevistados como estratégias para 2010. Na pesquisa, 81,78% dos empresários afirmaram que usariam recursos próprios.

''Os investimentos na indústria continuam baixos no Brasil. Prova disso é que a idade média dos equipamentos da nossa indústria é de 17 anos, enquanto na Alemanha é de apenas cinco anos'', disse o presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, na coletiva de divulgação das pesquisas.

Faturamento

As previsões para 2010 são mais animadoras do que as de 2009, principalmente para bens duráveis de consumo, que devem continuar sendo beneficiados pelo bom desempenho dos negócios no mercado interno.

A parcela de empresas que projetam aumento das vendas em 2010, já descontada a inflação do período, é de 69%, acima de 2009 (62%), mas abaixo de 2008 (71%). Já a proporção de empresas que planejam faturar menos diminuiu de 12% para 8%.

Os prognósticos de vendas são os maiores da série histórica. Para 2010, a maior incidência foi verificada na faixa de crescimento entre 5,1% e 10%, apontada por 41% das empresas, o mesmo percentual do ano passado. Em seguida, vem a faixa entre 10,1% e 20%, prevista por 30% das empresas.

Pessoal ocupado

A sondagem também prevê ampliação do quadro em 2010, mas em percentual inferior ao dos investimentos e do faturamento. De acordo com a pesquisa, 40% empresas pretendem contratar, enquanto 12% programam demissões.

O setor de bens de capital é o que alcança o maior percentual de previsão de contratação em 2010 (53%). Dos 21 gêneros industriais, 18 pretendem ampliar o contingente de mão de obra em relação às previsões feitas para 2009.

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