2006 é o ano da superação agrícola
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terça-feira, 06 de junho de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Este ano será o período da superação da agricultura. A crise que os produtores rurais têm enfrentado com o acúmulo de dívidas e a redução dos preços irá fazer com que esse ano seja o período da reestruturação. É necessário que os agricultores façam um planejamento da sua safra, dos custos de produção e dos investimentos. 2007 está sendo apontado como o ano da estabilidade e, 2008, como o tempo da recuperação. Essa é a análise de Anderson Galvão, da Céleres Consultoria (empresa com sede em Minas Gerais) que ministrou palestra ontem durante o 4º Congresso da Soja.
''Estamos enfrentando a maior crise da história. A soja, principalmente, é um gigante, mas um gigante machucado. Há futuro, mas é preciso curar as feridas'', salientou Galvão. Segundo ele, nos últimos três anos os sojicultores perderam cerca de 40% da sua renda. Aliás, todos os setores da cadeia do agronegócio tiveram perdas expressivas: a dos insumos, por exemplo, acumulam perdas de 17%. ''Os sojicultores têm agora 80% da renda que tinham no início da década de 90'', informou. Sem renda, a tendência é que não haja aumento da área plantada e em investimentos.
A queda na renda coincide com o ano que a saca de soja atingiu o seu maior valor, em 2003. Naquele ano, houve uma abundância de crédito no mercado que incentivou a ampliação da área plantada de soja e a inclusão no negócio que pessoas que não são do meio. Esses fatores aumentaram a produção de soja, mas contribuíram para a sua redução de preço e a queda da produtividade. ''Essa crise foi um mal necessário porque tem que haver um choque de eficiência no meio rural que, em linhas gerais, já é eficiente'', disse Galvão. Esse ''choque'' viria da profissionalização do mercado, com a adoção de planejamentos estratégicos semelhantes aos das empresas.
Por isso, a previsão é que para a safra 2006/07 haja uma redução de 1,5 milhão de hectares na área plantada. Essa diminuição não pode ser traduzida em melhora de preços. ''O problema do preço da soja é nacional e essa redução brasileira deverá ser compensada pelas produções argentinas e paraguaia. Com o detalhe que no Brasil as áreas cortadas serão as mais fracas e, por isso, a produtividade deverá se manter, o que pode significar mais renda ao sojicultor'', comentou o consultor. Os desafios são aumentar a área plantada, mas dentro das possibilidades, sem a aquisição de crédito no mercado.
''Os produtores estão ricos do ponto de vista do patrimônio com colheitadeiras, máquinas agrícolas, mas pobres do ponto de vista financeiro porque eles estão sem fluxo de caixa. A chave está nesse equacionamento'', analisou Galvão.


