2003 será o pior em cinco anos para a aviação
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domingo, 13 de julho de 2003
Cindy Corrêa<br> Agência Folha 
São Paulo - As empresas aéreas não possuem perspectiva muito otimistas para o ano. De uma forma geral, a expectativa é que neste ano, na melhor das hipóteses, o volume de passageiros seja igual ao de 2002.
A Gol possui uma das perspectivas mais negras para o ano. Tomando como base o primeiro semestre, quando a demanda total de passageiros caiu 9%, o ano deverá ser o primeiro a registrar queda na demanda dos últimos cinco anos.
Desde 1999 o mercado doméstico brasileiro tem registrado crescimento no índice de passageiros, segundo dados comparativos do Departamento de Aviação Civil (DAC).
Mesmo no ano passado, quando o setor passou a maior parte do ano se queixando de queda no volume, no acumulado dos doze meses houve aumento na demanda de 0,9%. Mas esse volume foi considerado pequeno, levando em conta que o setor viveu uma guerra tarifária e geralmente registra um índice de crescimento em média três vezes maior do que o PIB (Produto Interno Bruto).
O vice-presidente da Gol, Tarcísio Gargioni, baseado na perspectiva de crescimento do PIB para 2003 e nos dados da empresa no primeiro semestre, considera que este ano a demanda deverá cair para todo o setor aéreo.
A companhia atingiu a marca de 61% na ocupação de vôos, mas desde que a frota subiu para 21 aeronaves, a ocupação tem se mantido estável. ''O ideal era atingir uma ocupação de 65%, mas estamos com um índice de 61%'', disse Gargioni.
A Vasp, que registrou queda de 9% no primeiro semestre, tem como meta repetir os números de 2002, mas pode ter problema, já que no último mês apresentou uma queda na demanda de 20%. A empresa informou que decidiu reduzir a oferta para reduzir o gasto com combustível.
As empresas não comentam oficialmente, mas consideram que a situação da Varig agrava ainda mais a crise no setor, pois prejudica a imagem de todas as empresas.
O consultor de aviação de Porto Alegre Adelar Lino Ribeiro, considera que a situação da Varig irá comprometer o setor aéreo inteiro, o que irá resultar em queda na demanda e na rentabilidade.
Essa previsão negativa se repete na TAM. A empresa envolvida em um processo de fusão com a Varig registrou queda de 20% na demanda por passageiros no primeiro semestre. A ocupação dos vôos caiu para 54%. Apesar disso, a empresa garante que no segundo semestre a situação será revertida.


