Curitiba - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que 2000 foi o pior ano para a agricultura brasileira nos últimos anos. Naquele ano, principalmente os estados do Sul foram castigados pelas mais fortes geadas das últimas duas décadas, até então. A pesquisa, feita entre 1996 e 2002 com as culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo, apontou que nesse período as perdas no Brasil foram da ordem de 10% do potencial de produção.
No Paraná, as perdas mais significativas foram nas lavouras de milho e trigo. Em 2000, as culturas que mais registraram perdas foi o milho safrinha e o trigo em função de seca seguida de geada. As perdas do milho atingiram 20,96% do potencial anual de produção e 50,69% do potencial de produção do trigo. As perdas nas lavouras de soja, naquele ano, foram de 5,60%. Nos estados, a pesquisa foi restrita entre as fases de plantio até a pré-colheita.
Entre 1996 e 2002, o País deixou de colher cerca de 28 milhões de toneladas de grãos, sendo que somente em 2000 se deixou de colher 6,6 milhões de toneladas. Naquele ano, o milho foi a cultura mais prejudicada, com perdas da ordem de 4,1 milhões de toneladas. Além do Paraná, estados produtores como São Paulo e Mato Grosso do Sul tiveram perdas de 16,93% e 36,15%, respectivamente.
Em 2000 havia a expectativa de produção de milho da ordem de 9,3 milhões de toneladas no Paraná, mas foram colhidas 7,3 milhões de toneladas. Entre 96 e 2002, o Estado deixou de colher 3,5 milhões de toneladas de milho somente na fase entre o plantio e a pré-colheita. As perdas com a soja foram menores. Nesse período, o Estado deixou de colher 1,1 milhão de toneladas do grão.
As lavouras de trigo também foram severamente castigadas pelas geadas em 2000 no Paraná. Naquele ano havia um potencial de produção de 1,41 milhão de toneladas e foram colhidas 700 mil toneladas, que correspondeu a uma perda de 50,69%. Mas quando o período é de fartura na colheita de trigo, o sistema de armazenagem nos Estados fica comprometido.
O IBGE constatou que no Paraná, algumas cooperativas tiveram que erguer barricadas nas laterais dos silos para colocar trigo até o teto, num procedimento que, além de comprometer a infra-estrutura da construção, pode ter provocado maior incidência de pragas e doenças, por impedir a aeração adequada dos grãos.
Para o analista do IBGE, Roberto Augusto Duarte, a pesquisa aponta tendências de plantio nos estados e também a disponibilidade interna dos grãos cultivados no País. Segundo ele, com exceção ao ano 2000 as perdas no Paraná não são tão acentuadas porque os produtores costumam seguir o zoneamento agrícola que indica o melhor período recomendado para o plantio e obedecem as regras de cultivo regionais.

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