20 mil produtores devem buscar seguro agrícola
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de janeiro de 2009
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba As perdas na agricultura provocadas pela estiagem no Paraná em novembro e dezembro devem levar entre 15 mil e 20 mil produtores do Estado a solicitarem os seguros Proagro Mais e Proagro. Esse montante representa cerca de 20% do total de 80 mil contratos de custeio das safra de verão feitos entre bancos e produtores. A previsão é do secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Valter Bian-
chini.
O Proagro Mais (Programa de Amparo à Agricultura) cobre o valor total da dívida do produtor e ainda garante uma renda de R$ 2,5 mil por ano. Já o Proagro cobre uma parte da dívida em casos de seca, geada ou granizo. Para ter o seguro, o agricultor paga de 1% a 2% sobre o valor do financiamento.
Em um prazo de cinco dias, o Banco do Brasil registrou o encaminhamento de 6,5 mil pedidos de perícia para ressarcimento do seguro agrícola. A Cresol, que atende os pequenos agricultores familiares nas regiões Sudoeste, Oeste, Centro e Noroeste do Paraná, contabilizou o encaminhamento de 1,8 mil pedidos nos últimos dias, que somam R$ 15 milhões em financiamentos de custeio. O Sicredi, que atende os agricultores familiares recebeu 600 pedidos. A estimativa das instituições financeiras é que, até a próxima semana, cheguem mais 3 mil pedidos para perícia nas propriedades.
A Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) prevê uma perda de 3 milhões de toneladas de grãos entre feijão, soja e milho, o que representa um prejuízo de R$ 1,5 bilhão. Em função disso, não será mais possível atingir a safra recorde estimada inicialmente em 32,2 milhões de toneladas.
Bianchini prevê que a cultura de soja se recupere, mas acredita que as perdas possam ser maiores no feijão e no milho. Na próxima semana, a Seab divulga uma nova avalição da safra.
A boa notícia é que alguns produtos estão com preços melhores. Mesmo colhendo menos, pode ser o suficiente para o agricultor pagar a dívida, disse. Ele destacou que a saca de 60 quilos de feijão passou de R$ 80 para R$ 110 a R$ 130. A saca do milho saltou de R$ 15 para R$ 16. Ele explicou que o feijão subiu por conta da quebra na produção.
Para auxiliar o produtor, a Seab criou uma comissão especial que irá se reunir semanalmente para acompanhar a comercialização da safra de verão e o encaminhamento dos pedidos de perícia. A comissão foi criada ontem durante uma reunião na Seab e tem a participação de representantes do setor e de bancos.
A secretaria vai adotar uma série de medidas e políticas públicas como garantias de preço mínimo, linhas de crédito, zoneamento e recomendações de variedades para esse período para garantir o planejamento das lavouras.


