São Paulo - Reunidos nesta semana em Brasília, governadores de 17 Estados avisaram ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que decretarão estado de calamidade na próxima segunda-feira, dia 19. Na reunião em Brasília, os governadores reivindicaram a liberação de R$ 14 bilhões para cobertura de perdas provocadas por incentivos concedidos pela União.
Segundo participantes, Meirelles disse não à reivindicação. Mas, diante da ameaça, o presidente Michel Temer telefonou para o governador do Piauí, Welington Dias (PT), manifestando disposição de negociar. Pouco antes do telefonema de Temer, Dias havia dito a Meirelles que os governadores preparam uma carta em que decretam estado de calamidade. Segundo Dias, os governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste são maioria no movimento, mas haverá adesão de Estados do Sul e Sudeste.
"Você sabe que não sou de blefar. Tivemos que nos segurar para não decretar estado de emergência junto com o Rio", disse Dias, que se sentou ao lado do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), durante a reunião. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse que o governo federal não tem noção do tamanho da crise enfrentada nos Estados. "Tenho a sensação de que não conseguimos mostrar nossa situação", disse ele, segundo governadores.
Governadores relataram a Meirelles a situação de cada Estado. O governador de Sergipe, Jackson Barreto (SE), afirmou estar pagando a folha de pagamento de julho. "Do Meirelles, só ouvimos não", disse Dias.

Congresso
Um dia depois de governadores do Norte e Nordeste irem até o ministro da Fazenda para ameaçar decretar estado de calamidade, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), puxou para o Congresso Nacional a responsabilidade de responder à crise econômica. Os governadores pediram socorro de R$ 7 bilhões à União.
Acompanhado do ministro Henrique Meirelles (Fazenda), após café da manhã com parlamentares, Maia afirmou que cabe ao Congresso responder a essa crise, ao defender a aprovação de medidas de ajuste fiscal do governo Michel Temer.
"A herança deixada é muito ruim, os governos dos Estados estão tecnicamente quase todos em situação de calamidade, com 14 Estados ameaçando decretar calamidade financeira. O que cabe ao Congresso Nacional neste momento é responder a essa crise", afirmou Maia.
Maia chegou a dizer que a ameaça de calamidade pública foi o fato mais importante dos últimos dias. "O mais importante que aconteceu nesta semana, nos últimos dias, foi a informação que os governadores ontem [terça] deram ao ministro da Fazenda. É muito claro em relação à herança deixada pelo governo anterior. Catorze Estados pensam em decretar estado de calamidade financeira. Isso mostra a urgência da aprovação da PEC do teto de gastos", afirmou.
A proposta do governo limita os gastos federais à variação da inflação por até 20 anos. A partir do décimo ano, no entanto, a regra de correção das despesas totais pela inflação poderá ser revista.
Maia acrescentou que os governadores têm pautas de interesse no Congresso e que os parlamentares podem votá-las para colaborar com os Estados. "Tem PEC dos precatórios, tem votação da autorização da venda ativa dos estados, tem algumas agendas que interessam aos governadores que temos vontade de pautar para que o Congresso possa colaborar com governadores nessa crise econômica gerada pelo governo anterior", disse.

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