13º salário vai injetar R$ 3,5 bi no Paraná
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O pagamento integral do 13º salário deverá injetar R$ 3,5 bilhões na economia paranaense até o final do ano, segundo dados fornecidos pela Associação Comercial do Paraná (ACP), com base em levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A projeção para o País é de um incremento de R$ 53,7 bilhões. Para o vice-presidente de Serviços da ACP, Élcio Ribeiro, a tendência é que a maioria dos trabalhadores paranaenses use o 13º salário para as compras de Natal e Ano Novo, o que é bom para o comércio.
O coordenador do Núcleo de Análise Conjuntural do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki, divide opinião semelhante. ''O 13º favorece, principalmente, os segmentos que são voltados às vendas de final de ano. E a perspectiva é muito boa para o comércio, este ano'', acrescentou.
Suzuki destacou que, além do ingresso do 13º, outros fatores devem influenciar o aumento no consumo: os juros mais baixos, que aumentam a oferta de crédito para as compras a prazo, e a desvalorização do dólar frente ao real, que reduz o preço dos produtos importados. ''Mas, não aconselho as pessoas a se endividarem. Devem optar pela quitação de suas dívidas ao invés de se endividarem ainda mais'', alertou.
O economista lembrou que, de janeiro a julho deste, o volume de vendas no comércio varejista do Paraná acumula aumento de 7,2%, na comparação com o mesmo período de 2006, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ''É provável que mantenha essa trajetória de crescimento até o final do ano'', projetou.
Consumidores: Ainda faltam mais de 40 dias para o pagamento da primeira parcela do 13º salário - considerando o prazo estipulado pela legislação trabalhista, que é até 30 de novembro. Mas, a maioria das pessoas já tem planos bem definidos de como aplicar o ''dinheirinho extra''.
O agente de trânsito Itamar Lessa Lopes Júnior, 47 anos, garante que irá aplicar o 13º salário inteiro na poupança, o que não é seguido como regra pela maioria dos brasileiros. ''Estou sempre pensando no dia de amanhã. Hoje, tenho uma condição financeira que me permite fazer isso. Acho que isso é importante para todo mundo: pensar no dia de amanhã'', afirmou. Foi pensando dessa forma que Lopes Jr. conseguiu juntar dinheiro, durante 10 anos, para comprar a casa própria. ''E comprei minha casa à vista. Claro, que com a ajuda da esposa'', orgulha-se.
A gerente de loja Ana Maria Barbosa, 37 anos, também assegurou que, sempre, teve o hábito de poupar o salário extra, mas, este ano, está decidida a investir o dinheiro na pintura da casa que está terminando de construir. ''Nunca contei com ele (o 13º salário) para nada. Nem para pagar conta'', disse Ana Maria, acrescentando que prefere manter suas contas em dia para não depender do 13º para quitá-las.
Os mais jovens parecem não seguir a mesma cartilha. Daphnne Schimidlin, 25 anos, vendedora em uma loja de calçados, admite que costuma usar o 13º salário nos gastos de final de ano: presentes e viagens. Ela, no entanto, pondera que antes de se render aos ímpetos consumistas, procura ''aliviar as dívidas'' que assumiu durante o ano.


