13º salário traz R$ 4,4 bi ao comércio
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A economia do Paraná vai receber uma injeção de R$ 4,477 bilhões com o pagamento do 13º salário, valor 4,86% maior que em 2008. A estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que mais da metade deste valor seja utilizado pelos trabalhadores para o pagamento de dívidas. Outra parte do dinheiro será destinada para as festas de final de ano e férias e uma parcela bem menor da população deve conseguir guardar algo na poupança.
Apesar de não ter uma estatística dos percentuais que serão usados para dívidas, presentes e poupança, o economista do Dieese, Sandro Silva, explicou que a maior parte da população do Estado tem um salário muito baixo e, por isso, muita gente não tem como guardar uma parcela do 13º.
Segundo ele, o ideal é, para quem tiver condições, guardar de 10% a 15% deste valor. Silva destacou que no final do ano as pessoas recebem esse recurso extra, mas devem lembrar que em janeiro tem uma série de gastos como IPTU, IPVA, mensalidades, matrículas e material escolar. Geralmente, as pessoas gastam tudo e ainda se endividam para o próximo ano.
O valor de R$ 4,477 bilhões que será pago no Paraná é 5,28% do total do Brasil e 34,35% da região Sul. Esse montante representa cerca de 2,54% do PIB estadual. O número de pessoas que vai receber o benefício é de 4,259 milhões, o que equivale a 6% do total que terá acesso ao 13º no Brasil. Os empregados do mercado formal, celelistas ou estatutários do Paraná representam 63,8% e os pensionistas e aposentados do INSS equivalem a 36,2%. O emprego doméstico com carteira assinada participa com 3,2%.
Os empregados formais ficam com 74,3% do valor total, os beneficiários do INSS com 21%, os aposentados e pensionistas do estado do regime próprio recebem 4,7% e os empregados domésticos ficarão com 1,8%. O valor médio a ser pago é R$ 1.001,79. No Paraná, o número de beneficiários é 3,15% maior que em 2008 e o valor médio 1,52%. Silva explicou que o aumento no número de pessoas está relacionado com a geração de empregos e a elevação do volume de aposentados e trabalhadores domésticos, apesar da crise financeira.
O levantamento do Dieese ainda apontou o valor a ser pago por municípios. O maior volume fica com Curitiba (R$ 1,536 bilhão), seguido de Londrina (R$ 193 milhões), Maringá (R$ 145 milhões), São José dos Pinhais (R$ 134 milhões) e Cascavel (R$ 87 milhões). Estes valores consideram apenas os assalariados dos setores público e privado e estatutários.
No País, o total a ser pago com o 13º é de R$ 84,8 bilhões, valor 8,7% maior que em 2008, o que deve beneficiar R$ 70 milhões de brasileiros. O valor médio a ser pago no nacional é de R$ 1.426,24 e a maior parte do montante vai para o setor de serviços (60,5%) seguido da indústria (21,1%).
Silva explicou que no Paraná o que mais cresceu foi o número de trabalhadores domésticos. Isso segura a média salarial porque a renda dessa categoria é menor. Ele destacou ainda que o número de beneficiários e o valor poderiam ser maiores caso não existisse a crise.
Os setores mais impactados pela crise têm salários mais altos como a indústria metalúrgica e as montadoras de veículos. Isso significa que os segmentos que garantiram o emprego pagam menos como o de serviços, as indústrias de alimentos, bebidas, têxtil e vestuário. Com isso, a média salarial no Paraná aumentou menos que no Brasil.
A primeira parcela do 13º é paga até 30 de novembro e sem descontos. A segunda tem data limite de 20 de dezembro e vem com descontos de INSS e Imposto de Renda para quem não é isento.


