Dinheiro na mão e época festiva. O momento - de férias, Natal e Ano Novo - é sugestivo ao consumo, mas se depender dos assalariados o 13º salário já tem destino certo e não são as compras. Mais da metade das pessoas empregadas (53,9%) pretendem utilizar a primeira parcela do benefício para quitar dívidas já contraídas, enquanto a segunda parcela terá a mesma finalidade para 36,4% das pessoas. O levantamento que apurou as intenções de aplicação do salário-extra foi feito com exclusividade para a FOLHA pela Ímpar - Inteligência de Marketing e Inbrape Pesquisas.
A pesquisa ouviu 412 londrinenses na semana passada, dos quais 60% são homens e 40%, mulheres. Os entrevistados ainda foram divididos por faixa etária (de 16 a 24 anos, de 25 a 44 anos e de 45 a 65 anos) e por renda familiar (até R$ 2 mil e acima de R$ 2 mil) (veja quadro). Um outro dado interessante é que os assalariados mostram-se preocupados em guardar dinheiro. A poupança é destino certo para a primeira parcela do benefício para 17,5% dos trabalhadores enquanto 16,7% também devem guardar a segunda parcela do 13º. Já os presentes de Natal são a última memória dos assalariados.
As ''lembranças'' são prioridade de gasto para 1% dos entrevistados (1 parcela) e 1,5% (2 parcela). Antes de presentear, os trabalhadores estão preocupados em viajar, comprar material de construção e produtos para si. ''Acredito que o resultado da pesquisa (a preferência por quitar débitos) mostra o aumento na concessão de crédito e o maior endividamento dos trabalhadores e isso não significa necessariamente ter dívidas atrasadas'', avalia Vandir Bokorni Fernandes, professor de Finanças da Unopar.
O diretor de pesquisa da Ímpar e do Inbrape, Cláudio Chiusoli, professor de Marketing, lembra que há semelhanças no comportamento dos consumidores, uma vez que os índices da pesquisa apurados agora são parecidos no levantamento feito há oito anos. ''A facilidade de crédito pode comprometer a renda dos trabalhadores e o 13º vem para tirar do sufoco esses consumidores. Aliás, esse comportamente (de usar o benefício para quitar débitos) é um hábito dos brasileiros'', avalia.
Na segmentação por sexo a pesquisa torna evidente algumas diferenças entre homens e mulheres. Elas (13,3%) pretendem usar a primeira parcela do dinheiro extra para comprar produtos para si, enquanto apenas, 7,3% deles utilizarão o benefício para fazer compras. A segunda parte do 13º também será usada para essa finalidade por 17% das mulheres e por 9,7% dos homens. Elas também se mostram mais preocupadas em presentear e em comprar materiais de construção.
''A indicação por comprar material de construção é um reflexo do aumento de crédito para aquisição da casa própria'', lembra Fernandes. Os homens, aparentemente, se mostram mais preocupados em pagar dívidas e poupar (nos dois itens há uma diferença de três a quatro pontos percentuais entre os sexos), mas também preferem investir em lazer e em festas, ao contrário delas, que sequer citaram essas opções.

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