13º salário injeta R$ 3,5 bi na economia do PR
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Embora boa parte dos trabalhadores pretendam usar o décimo-terceiro salário para pagar dívidas, como revela pesquisa feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anafec), isso não irá inibir que o consumidor faça as costumeiras compras de fim de ano. Ainda mais diante de um cenário positivo, que mostra um crescimento de 8,15% do volume total de pagamento do décimo-terceiro neste ano em relação a 2005, índice maior do que o nacional que foi de 6,4% (este incluindo apenas o setor formal).
O décimo-terceiro vai injetar quase R$ 3,5 bilhões na economia paranaense, em 2006, de acordo com a estimativa apresentada, ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) e Federação dos Empregados do Comércio do Paraná. Esses recursos correspondem a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Deste montante, estima-se que 65% serão repassados ao trabalhador entre os meses de novembro e dezembro. O restante já foi pago ao longo do ano. Serão beneficiados mais de 4,7 milhões de pessoas.
A instituição contabilizou, no Paraná, o número de empregos formais e informais, sendo este último, referente a trabalhadores sem carteira e empregados domésticos - pessoas que trabalham por conta própria não foram incluídas. Já o mercado formal, reponsável por 78,4% do total de trabalhadores, é constituído de assalariados, beneficiários do INSS e empregados domésticos com carteira. Já os taxistas o Dieese-PR calculou ao todo 4,5 mil.
O salário médio também aumentou em relação ao ano passado 4,57%, ficando em R$ 733,00. No entanto, o ganho real foi aproximadamente de 1,5% se descontar a inflação estimada de 3% para este ano. ''A massa salarial do Paraná aumentou porque houve crescimento do salário médio e do número de trabalhadores. Além disso, a gente observa, desde 2004, que grande parte das categorias vêm conseguindo aumento acima da inflação ou seja um ganho real'', explica o economista do Dieese-PR Sandro Silva, dizendo que a inflação também diminui.
Dentro do valor estimado de R$ 53 bilhões para o pagamento de décimo-terceiro (apenas o setor formal) no Brasil, o Paraná corresponde por 5,64% e aparece em quinto lugar entre os estados com maior volume de recursos. O estado que fará o maior incremento na economia é São Paulo, com 34,41% do total nacional, seguido do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, respectivamente com 11,02%, 9,25% e 6,97%.
Os dados utilizados pelo Dieese foram gerados pela Relação Anual de informações Sociais (Rais) e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pertencentes ao Ministério do Trabalho e Emprego, e ainda pela PNDA 2005 do IBGE e pelo Ministério da Previdência e Assistência Social.
Para saber a intenção de uso do décimo-terceiro, o Dieese indicou os números da Anefac. A pesquisa levantou que 63% dos trabalhadores vão gastar para quitar dívidas, 15% para comprar presentes, 11% para pagar IPTU, IPVA e matrículas no início de 2007, 4% para reformar a casa, 2% pretendem poupar e 5% já receberam o salário.


