São Paulo - Durante este mês, a confeiteira Roberta Gauss corre a cidade para entregar os mais de bolos encomendados. ''Dezembro é uma loucura, todo mundo resolve casar e não passa um dia sem que tenhamos uma cerimônia para atender'', diz a chef da Cakery, empresa especializada em bolos decorados. Com produtos entre R$ 50 e R$ 5 mil, ela diz que não desvaloriza o próprio trabalho. ''Mas facilito na hora de pagar'', explica.
Essa tem sido a estratégia de muitas empresas que trabalham no ramo de casamentos. Em geral, quanto antes os noivos fizerem a encomenda, mais prazo tem para pagar. ''Eu parcelo desde o dia da encomenda até o dia da festa'', diz a proprietária da Emília Bem-Casados, Mara Borges. E se a festa for em dezembro, é bom encomendar bem antes. ''Esperava um aumento de 20% no pedido de bem-casados em relação a outros meses, mas foi de 50%.''
Segundo dados do IBGE, dezembro é o mês com maior número de casamentos no Brasil. No ano passado, foram 115.046 registros em dezembro, enquanto em maio - tradicional mês das noivas - foram 78.042.
A corrida pelos casamentos em dezembro ocorre por vários motivos. O principal é o 13º salário. ''Muita gente aproveita esse dinheiro extra para realizar a festa'', diz o estilista Rogério Rodrigues, da Maison Rodrigues, especializado em vestidos de noivas. ''Outas razões são as férias e o clima. Afinal, que noiva quer entrar no salão no inverno, toda coberta? Elas querem mostrar o quanto estão lindas, e para isso tem de estar quente'', explica.
''O dinheiro extra e a explosão de crédito contribuíram para que dezembro se tornasse o mês com maior concentração de casamentos no ano'', diz o professor da Fiap e consultor de finanças pessoais Marcos Crivelaro. O volume de crédito disponível no mercado é cerca de 30% maior do que no mesmo período do ano passado. ''Mas o consumidor tem de tomar muito cuidado para não se empolgar com a facilidade de parcelamento e criar uma dívida gigante de várias parcelas pequenas somadas.''
Diferentemente de alguns anos atrás, hoje a maioria dos noivos não deixa a festa inteira por conta dos pais. ''Aqui a maioria são os próprios noivos que pagam'', diz Roberta, da cakery. ''Por isso, é importante ter espaço para discutir a forma de pagamento. Além do bolo, eles vão ter de pagar convites, vestido, carro, salão. Se não begociar, não vende.''
Ele sugere que alguns itens, como vestido, roupas e enxovais sejam pagos à vista. ''O casal tem de pesquisar qual o melhor preço à vista que pode conseguir, e a partir daí negociar o que vai parcelar ou não.''
A noiva Silvia dos Santos se preocupou com a organização das finanças antes da festa. ''Minha prioridade não era a festa, e sim uma casa própria, então estamos guardando dinheiro para dar uma entrada e comprando os eletrodomésticos aos poucos.''

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