13º salário e Natal elevam consultas ao SCPC
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Maigue Gueths<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O número de pessoas que comparecem à Associação Comercial do Paraná (ACP) para consultar se tem o nome inscrito Serviço de Crédito e Proteção ao Consumidor (SCPC) aumentou em quase 50% nos últimos dias. Na última segunda-feira, 1.512 pessoas compareceram ao setor de Atendimento ao Consumidor para levantar o valor de seus débitos, quantidade bem superior à média registrada, que oscila entre 1 mil a 1.200 consultas por dia.
O aumento no movimento é comum em épocas em que o trabalhador está com o bolso cheio. Isso acontece tanto em datas de restituição do Imposto e Renda quanto na época de recebimento do 13º salário. A intenção é quitar os débitos com o dinheiro extra para ''limpar o nome da praça'' e, assim, conseguir fazer novos gastos para o Natal.
Em âmbito nacional, a inadimplência aumentou 1,24% em outubro de 2010, em relação ao mês de agosto, conforme divulgou, ontem, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço Nacional de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Este aumento também está ligado à proximidade do Natal e injeção de recursos na economia via expansão de crédito, restituição do IR e pagamento de parte do 13º salário, pois os empresários também aproveitam essas épocas para registrar seus débitos junto ao SPC. Já na comparação com outubro de 2009, a inadimplência apresentou queda de 7,54%.
Segundo o vice-presidente da ACP, Camilo Turmina, no Paraná, a ACP tem atualmente cerca de 3 milhões de registros de débitos, o que não significa que há 3 milhões de pessoas inadimplentes, uma vez que um mesmo CPF pode ter sido registrado mais de uma vez. A ACP, no entanto, fez uma pesquisa, em maio deste ano, junto a 499 consumidores, que aponta o perfil do consumidor que tem registro no SCPC.
Segundo a pesquisa, 56,51% dos entrevistados tinham renda familiar entre um a três salários mínimos. Sobre os motivos que levaram a inadimplêmcia, 39,1% disseram que foi o desemprego, 16,6% disseram que fizeram compras em nome de terceiros (emprestaram o nome) e 9,8% assumiram que perderam o controle dos gastos, entre outros.
Uma copeira que preferiu não se identificar faz parte do grupo que teve o nome registrado porque entre os inadimplentes. Ela ficou desempregada e não conseguiu pagar um empréstimo de R$ 2,5 mil contraído junto a um banco. ''Emprestei para pagar várias contas, desde o colégio das duas filhas, mas os juros eram muito altos'', conta. O salário que recebia na época era de R$ 700 e assumiu parcelas de R$ 150 mensais. Hoje sua conta está em R$ 3 mil.
Compras parceladas com carnê foram a forma usada por 37,7%. O segundo motivo de registro de débito foram pagamentos com cheques (22%). Outros 18% usaram o cartão da loja, 11% estavam indimplentes com empréstimos e 8,2% com o cartão de crédito. Cheques descobertos foram o motivo que levou o trabalhador da construção civil Germil Dutra ao SCPC. ''Agora já estou com no nome limpo'', disse ele, ontem, após consulta na ACP.


