Recursos da ordem de pelo menos US$ 7 bilhões serão injetados no mercado a partir da próxima semana, com o pagamento por grande parte das empresas da primeira parcela do 13º salário. Para alguns economistas como José Pastore, da Universidade São Paulo, consultor de empresas, boa parte dos recursos será utilizada para pagar dívidas ou terá a poupança como destino. O comércio espera que esse dinheiro vá melhorar as vendas no varejo. Pastore estima que os recursos totais do 13º salário podem injetar até o final do ano na economia mais US$ 14 bilhões. A segunda parcela do 13º salário será paga no dia 23 de dezembro, véspera do Natal, época que muitas categorias de trabalhadores, como os metalúrgicos, já estarão gozando férias coletivas do final de ano.
O presidente da Sharp, Nemer Saliba, entende que o reforço do 13º salário será importante para o comércio, que poderá alavancar suas vendas. ‘‘Não acredito que se fará só poupança ou se pagará apenas as dívidas. É uma questão milenar dar presentes nesta época. Faz parte do brasileiro’’, afirmou Saliba.
Ele entende que a economia pode ter um aquecimento no final do ano por conta da entrada de recursos do 13º salário ou ainda de recursos que foram guardados na poupança. ‘‘É o normal que isto ocorra, pois há necessidade de muita gente em retribuir o tratamento que se recebe durante o ano. Acaba dando um presente para um familiar ou para um amigo’’, explicou.
O economista Fábio Nolasco entende que os recursos do 13º salário terão pouco reflexo no mercado, por causa do alto nível de inadimplência. O economista aposta que haverá recessão no início do próximo ano. Esta não é apenas a opinião de Nolasco, mas também do executivo Manoel Horácio da Silva, presidente das áreas de Energia, Docenave e Papel e Celulose da Companhia Vale do Rio Doce, para quem o primeiro semestre do próximo ano será de recessão, de queda na atividade econômica. Ele acha também que a partir do segundo semestre de 98, a economia inicia um processo de retomada do crescimento.

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