13º injeta R$1,75 bi na economia do PR
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O pagamento da primeira parcela do 13º salário, que deve ser pago hoje pelas empresas, vai significar um incremento de R$ 875 milhões no bolso dos trabalhadores do Paraná. Contando com a segunda parcela, cujo prazo final de pagamento vence no dia 20 de dezembro, o 13º significará uma injeção de R$ 1,750 bilhão na economia do Estado. O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) estima que uma parte desta renda será usada para o pagamento de dívidas. Ainda assim, a Associação Comercial do Paraná (ACP) está otimista e espera um crescimento real de vendas de 8% em relação ao Natal passado.
De acordo com cálculos do Dieese, quase 4,2 milhões de trabalhadores no Paraná recebem o 13º salário, cujo valor total é de R$ 2,5 bilhões. No entanto, 30% desse valor já foram antecipados pelas empresas, ou por determinação de Acordos Coletivos de Trabalho ou pagamento de parcela junto com as férias, e apenas 70% do dinheiro entram agora no orçamento do trabalhador.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, estima que metade desse dinheiro seja usado para consumo, outros 20% a 30% para o pagamento de dívidas e o restante em poupança e lazer. ''Não dá para saber quem está mais endividado, se são as famílias de baixa renda ou a classe média, mas hoje, em geral, o orçamento familiar está muito comprometido com o pagamento das tarifas públicas'', diz. Segundo o Dieese, atualmente 30% do orçamento são destinados às tarifas públicas, pagamento de juros e carga tributária.
''O 13º é uma renda extra, mas o trabalhador tem que avaliar que nessa época ele também têm despesas extras. Por isso, ele tem que fazer um planejamento não de um mês mas de novembro a março'', avisa Cordeiro. Ele refere-se às despesas comuns ao final e início de todo ano, entre elas o Imposto de Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), Imposto de Propriedade Territorial e Urbano (IPTU), matrícula escolar, além de pagamento de anuidade dos conselhos profissionais. Só nesses itens, segundo ele, famílias com renda entre R$ 2,5 mil a R$ 6 mil vão comprometer entre 20 a 48% da renda mensal.
O vice-presidente de Serviços da ACP, Élcio Ribeiro, acredita que a partir de agora as vendas de Natal já comecem a aumentar. A expectativa é que este ano o valor da primeira parcela do 13º seja usado para consumo, ao contrário de outros anos, quando a maior parte foi usada para quitar dívidas. A ACP prevê que a procura maior deverá ser por confecções, calçados e aparelhos celulares. A ACP também acredita que o gasto médio por presente deverá ficar em torno de R$ 42, contra R$ 38 no ano passado.
Para atender os consumidores, a partir de hoje o comércio de rua de Curitiba já pode ampliar o horário de atendimento. Nos dias de semana, as lojas poderão permanecer abertas até 22 horas, aos sábados, até 21 horas e aos domingos, o horário permitido é das 10 às 19 horas. Na véspera de Natal, dia 24, o comércio ficará aberto até às 18 horas.


