Curitiba - O pagamento do 13º salário deve representar uma injeção de aproximadamente R$ 3 bilhões na economia paranaense neste final de ano. O dado foi divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado do Paraná. A previsão é de um aumento entre 8% e 10% no volume de vendas de Natal em relação ao mesmo período no ano passado.
Seria um alento num ano em que as vendagens estiveram longe do ideal: entre janeiro e agosto de 2005 as vendas do comércio do Paraná aumentaram apenas 0,20% na comparação com os oito primeiros meses do ano passado, resultado inferior ao desempenho nacional (crescimento de 4,86%). Segundo Cid Cordeiro, técnico do Dieese, este esfriamento foi influenciado principalmente pela queda da renda do setor agrícola.
''Em relação ao restante do ano, o volume de vendas deve crescer mais no Natal por diversos fatores: no final do ano passado, os juros estavam aumentando, agora estão diminuindo; o salário mínimo teve um reajuste considerável; as convenções coletivas de algumas categorias representaram um aumento real de renda para muitas pessoas; e houve a queda do dólar, o que tornou os produtos importados mais acessíveis'', afirmou Vicente da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio paranaense.
''Deverá ocorrer um crescimento puxado pela recuperação da renda, que nacionalmente havia sofrido redução de 25% entre 1998 e 2003, e pelo crédito consignado'', complementou Cordeiro. Um aumento nas vendas neste final de ano representaria o terceiro crescimento consecutivo nas vendagens de Natal do comércio paranaense.
A previsão do Dieese e da Federação é que cerca de 11 mil pessoas sejam contratadas temporariamente até o final do ano no Estado. A estimativa é de que entre 20% e 30% desta população seja efetivada após o período de vendas de Natal. Segundo o Dieese, o pagamento do 13º salário representará uma injeção de cerca de R$ 46 bilhões na economia brasileira. O valor equivale a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e é destinado a 56,45 milhões de trabalhadores do País.
O valor médio nacional foi estimado em R$ 812,72. A média a ser paga aos empregados com registro em carteira ficará em R$ 1.092,44 e aos beneficiários da Previdência, em R$ 478,07. Segundo a instituição, dos 56,4 milhões de brasileiros com direito a receber o 13º salário, 41,9%, ou seja, 23,65 milhões, são beneficiários da Previdência Social, caso de aposentados e pensionistas. Esse grupo receberá do INSS cerca de R$ 11,3 bilhões, ou seja, 24,6% dos R$ 45,9 bilhões a serem inseridos na economia. Empregados formais representam 55%, ou 31,06 milhões, dos trabalhadores com direito ao 13º, sendo também contribuintes do sistema previdenciário. Envolvem o recebimento de R$ 33,9 bilhões, ou 74% do montante dos recursos financeiros. Os 3,1% dos empregados restantes com direito à remuneração extra referem-se aos trabalhadores domésticos com registro em carteira profissional, representando algo como 1,4% dos valores a serem movimentados, ou cerca de R$ 634,3 milhões.

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