11% dos internautas caíram em golpes de investimentos

Excesso de confiança, ganância ou ingenuidade do investidor associada à falta de preocupação em checar a veracidade das informações facilitam a ação de golpistas

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Dinheiro rápido e fácil todo mundo quer, mas é bom ter cuidado. Por trás de propostas tentadoras pode se esconder uma cilada. A promessa de investimento baixo com retorno acima da média em um curto espaço de tempo tem levado internautas a caírem em golpes financeiros. Uma pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) revelou que 11% dos internautas brasileiros já perderam dinheiro por participarem de esquemas fraudulentos.


11% dos internautas caíram em golpes de investimentos
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A pesquisa Fraudes em Investimentos no Brasil apurou que os esquemas de pirâmide são o principal golpe aplicado contra os internautas. Na sequência, vêm os golpes de seguradora, no qual o investidor receberia um determinado valor mediante pagamento de taxas e despesas (19%), e golpe das ações ou fundos antigos de aposentadoria esquecidos, com exigência de pagamento antecipado de supostos encargos (16%). Foram ouvidos 917 homens e mulheres, com idade igual ou superior a 18 anos, em todas as capitais do País e de todas as classes sociais, todos alfabetizados.



Excesso de confiança, ganância ou ingenuidade do investidor associada à falta de preocupação em checar a veracidade das informações são os fatores destacados pela CNDL como facilitadores para a ação dos golpistas. A promessa de alta taxa de rendimento foi citada como o principal motivo que levou os entrevistados a serem ludibriados, citada por 44% dos entrevistados. Outros 36% disseram ter sido persuadidos porque, para “investir”, não era necessário entender de investimentos e 32% destacaram o baixo risco oferecido.

Quase a metade das vítimas (43%) realizaram a compra com um consultor autônomo não registrado ou licenciado, 29% foram influenciados por amigos ou parentes e 26%, por membro de um grupo ou organização a qual pertence. Até a data da pesquisa, 62% disseram que ainda não haviam recuperado o dinheiro perdido.


11% dos internautas caíram em golpes de investimentos
Folha Arte
 




'NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS'

Além da ganância, a falta de educação financeira é o que faz as pessoas ficarem vulneráveis à ação dos golpistas, analisou Gabriel Vansolini, sócio e assessor de Investimentos da Bravus Investimentos, escritório da XP em Londrina e região. No caso das pirâmides, explicou ele, um simples cálculo seria suficiente para evitar o golpe. Em alguns esquemas, onde a promessa de ganhos chega a 5% do valor investido ao dia, ao final do ano o lucro somaria um valor infinito, impossível de se alcançar. “São ganhos muito expressivos, muito fora da curva, com pouco investimento. Não tem como ter um ganho tão alto considerando que a nossa taxa básica de juros é de 4,5% ao ano. Não existe almoço grátis. Se quer ter mais retorno de investimento, ou abre mão de prazo ou corre riscos”, alertou.

Antes de decidir entrar em uma pirâmide, seria bom o investidor saber que para que o esquema funcionasse efetivamente, no 13º nível seria necessária a participação de 13 bilhões de pessoas – 5,3 bilhões a mais do que a população mundial atual, ou seja, quanto mais longe da base da pirâmide o investidor estiver, mais difícil é o retorno. “Além da falta de educação financeira, as pessoas cedem à pressão de amigos que falam que estão se dando bem. Os principais membros das pirâmides costumam ostentar uma vida de luxo para convencer os demais.”


COMISSÃO DE VALORES

“Quando você duvida do serviço e quando o valor do investimento citado para adesão não corresponder à média do mercado para o produto ou serviço, aí é procurar saber mais sobre a empresa, seja com buscas rápidas pela internet e informação de outras pessoas”, orientou o coordenador da Comissão de Direito do Consumidor da OAB-Londrina, Wagner Lai. Empresas idôneas, lembrou ele, divulgam o CNPJ e o endereço da sede.


Vansolini ressalta que qualquer tipo de operação ou analista de investimento que não esteja registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), ligada ao Ministério da Fazenda, não é investimento, é golpe. A operação e o profissional devem ter certificação. “Há golpistas que dizem que a oferta de investimento não está registrada na CVM porque é do exterior. Mas mesmo que o ativo não seja lastreado no Brasil, deve ter registro na comissão”, enfatizou.


CONSULTA

Na dúvida, consulte o site da CVM (www.cvm.gov.br). No campo Investidor e Cidadão, clique em Publicações e depois, em Alertas e Boletins de Proteção. Lá há uma série de orientações que podem auxiliar investidores a evitarem as fraudes.

 

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