Milhões de brasileiros foram novamente impedidos de utilizar o WhatsApp devido a uma determinação judicial. Dessa vez, a decisão, válida a partir das 14 horas de ontem, foi do juiz Marcel Montalvão, da comarca de Lagarto (SE), em sentença de 26 de abril. O processo que culminou na determinação de Montalvão é o mesmo que justificou, em março, a prisão de Diego Dzodan, vice-presidente do Facebook, empresa dona do app para a América Latina. O magistrado quer que a companhia repasse informações sobre uma quadrilha interestadual de drogas para uma investigação da Polícia Federal, o que a empresa se nega a fazer.
O aplicativo deve ficar fora do ar por 72 horas sob pena de multa de R$ 500 mil ao dia às operadoras. TIM, Oi, Vivo, Claro e Nextel já afirmaram ontem que receberam a determinação e que iriam cumpri-la. Clientes da Sercomtel seguem utilizando o aplicativo já que, segundo afirmou a própria companhia, a operadora londrinense não foi citada na decisão. Em nota, o WhatsApp lamentou a determinação e reiterou que a medida atinge 100 milhões de brasileiros.
O mototaxista Cícero Aparecido ficou sabendo da suspensão do WhatsApp ontem por volta das 16h30, quando viu que estava tudo "calmo demais" no seu smartphone. "Depois que fui ver que o WhatsApp tinha sido bloqueado." Aparecido, que usa o app para se comunicar com clientes, disse acreditar que a suspensão irá prejudicar o seu trabalho. "Algumas pessoas falam comigo só via WhatsApp porque não paga nada. Todo mundo está acostumado a usar." Jhenyfer Otávio Rosa, de 18 anos, tem o costume de se comunicar com parentes e amigos usando o aplicativo. Com o bloqueio, teve de migrar para outra ferramenta do Facebook. "Tive que ir para o Messenger."

Alternativas
Com o bloqueio do aplicativo se tornando recorrente, os usuários estão em busca de alternativas para a comunicação instantânea (veja no infográfico). Ontem, o Telegram, por exemplo, enfrentou problemas no envio de códigos de ativação para novos usuários no Brasil devido ao alto volume de solicitações. No final do ano passado, durante outra suspensão do WhatsApp, o Telegram disse ter recebido 5,7 milhões de usuários brasileiros.
O sistema VPN (Virtual Private Network ou rede virtual privada) é outra alternativa que vem sendo adotada pelos usuários para continuar usando o WhatsApp sem o bloqueio. Esses sistemas VPN permitem que o usuário pareça estar acessando a internet de outro país que não o Brasil, o que faz com que o aplicativo seja acessível, já que o bloqueio foi feito só aqui.

Perigo
Especialistas em segurança alertam, entretanto, para os riscos associados à instalação e ao uso de aplicativos de VPN. Para Emílio Simoni, gerente de Segurança da PSafe, o perigo pode estar presente em duas camadas: no smartphone e na rede utilizada por essas ferramentas. No aparelho, o risco está em se instalar aplicativos de terceiros sem procedência comprovada. Apps "clandestinos" podem possibilitar que criminosos virtuais tenham acesso a dados confidenciais dos usuários presentes no smartphone, como SMS e dados de login. Além disso, se a rede utilizada pelo sistema VPN não for confiável, o usuário pode ter sua segurança de dados comprometida.
"Cibercriminosos podem enganar os usuários e fazê-los instalar um perfil de VPN que a mantenha sempre ligada, de modo que todo o tráfego do usuário passe pelo seu serviço daquele momento em diante. E aí, ao invés de proporcionar proteção, eles furtam os dados dos usuários", explicou ainda Filip Chytry, gerente de Inteligência de Ameaças Móveis da Avast. Chytry alertou que antes de decidir qual serviço de VPN utilizar, o usuário deve pesquisar e localizar um provedor que seja confiável. Nos smartphones, Simoni, da PSafe, recomenda baixar aplicativos apenas de lojas oficiais, como a Play, da Google, e a App Store, da Apple.(Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem 100 milhões sem WhatsApp
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