São Paulo - Os mercados têm o que comemorar neste fim de ano, além de mais um réveillon. Há quatro anos, as dúvidas sobre como seria um governo liderado por um ex-metalúrgico petista estavam embutidas nos alarmantes números dos ativos financeiros. O Ibovespa, em dezembro de 2002, somava apenas 11.268 pontos. O risco Brasil batia os 1.446 pontos. O dólar era cotado a R$ 3,54. A taxa Selic, nos estratosféricos 25%. E as reservas internacionais do País não passavam de US$ 37,823 bilhões.
  Reeleito em outubro de 2006 para um novo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrará em 1º de janeiro de 2007 um cenário bem diferente. Nos quatro anos do seu governo, o Ibovespa disparou para os 44.473 pontos verificados no último pregão de dezembro de 2006, acumulando valorização de 294,68% no período. O valor de mercado das companhias negociadas na bolsa cresceu 543% durante o primeiro mandato, de acordo com pesquisa realizada pela Economática.
  O risco Brasil despencou mais de 1.200 pontos base no período, chegando a bater 190 pontos neste dia 28 de dezembro. O dólar, por sua vez, foi quase ao fundo do poço, caindo 39,66% para encerrar 2006 cotado a R$ 2,136. Já a Selic, que deve manter a trajetória de queda no próximo ano, recuou 11,75 pontos porcentuais e foi fixada em 13,25% na última reunião do Copom em 2006. É a menor taxa da série histórica. As reservas internacionais cresceram US$ 47 bilhões, atingindo US$ 85,310 bilhões no dia 27 de dezembro/2006.
  A expansão do PIB no primeiro mandato de Lula ficou abaixo da média dos países emergentes. A economia brasileira cresceu, em média, 2,62% ao ano desde 2003, considerando alta de 2,76% em 2006, conforme expectativa da Pesquisa Focus. Mas esse fato não alterou o humor nas mesas de operações. O comportamento do mercado financeiro refletiu o momento positivo da economia mundial, que favoreceu o fluxo de recursos aos mercados emergentes, e também a melhora dos fundamentos da economia brasileira.
  Em novembro de 2004, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou, entre olhares desconfiados de vários analistas, que o Brasil tinha condições de reduzir o risco País para 200 pontos até o final do governo Lula. Naquela ocasião, o risco estava em 460 pontos base.

  Festa - O ano de 2006 acabou ontem para os mercados domésticos. O último pregão na Bolsa de Valores de São Paulo foi celebrado com queima de fogos e lançamento de balões, em frente ao edifício-sede da Bovespa. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) o encerramento dos negócios foi festejado com chuva de papel picado. Hoje, só funcionam as mesas de câmbio e juros para operações interbancárias pontuais, que não interferem nas cotações.

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