1 em cada 4 brasileiros é empreendedor
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
Ao menos um a cada quatro brasileiros é empreendedor ou está envolvido em projetos de novos negócios, em um balanço que serve como demosnstrativo do crescimento econômico do País. Os dados estão na pesquisa divulgada em julho pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM, ou Monitor Global de Empreendedorismo, em tradução livre) sobre 2011, que revela ainda que duas a cada três pessoas entram no mercado por identificar uma oportunidade, enquanto uma o faz por necessidade.
O aumento do número de empreendedores de olho em faixas não exploradas de negócios no Brasil talvez seja um dos fatores mais interessantes da análise, segundo o consultor André Basso, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ele diz que o GEM mostrou há dez anos relação de um para um entre pessoas em busca de renda para sobreviver e que desejava ocupar uma faixa de mercado carente.
O consultor conta que o aumento do número de postos de trabalho faz com que a população tenha opções. ''Isso pelo ambiente econômico e pelo nível de emprego, porque se houvesse poucas vagas aumentaria a necessidade'', diz.
De olho em um mercado inexplorado no País, o ex-jogador de futsal Caio Lucio Gonçalves Farinha, de 39 anos, investiu em uma importadora depois de encerrar a carreira como atleta. Com bons contatos no exterior por ter jogado fora do País, Farinha buscou produtos incomuns, principalmente a lâmpada de LED. ''Ainda não é possível fabricá-las no Brasil porque é inviável, mas criei uma marca própria, com código de barras nacional, e pretendo implantar uma indústria assim que houver tecnologia aqui'', conta.
O preço do produto assusta, já que varia de R$ 130 a R$ 200. No entanto, o novo empresário diz que é uma tendência nas indústrias pela economia de energia de 55% a 70% em relação às fluorescentes, por ter durabilidade no mínimo duas vezes maior e por não precisar de reator. ''É um produto ecologicamente correto e dá retorno em 18 meses'', afirma.
Com empresa aberta há 11 meses, também para importar brinquedos com doces vendidos em supermercados, ele conseguiu trazer o primeiro lote de lâmpadas LED apenas neste mês. Com 100% dos produtos vendidos, Farinha, que estreou como empreendedor, reclama da burocracia no Brasil. ''É muita demora, problemas com tributos e dificuldades para contratar funcionários, o que atrapalha. Ainda bem que o Sebrae e a Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) dão assistência'', critica.
Pouca inovação
O empreendedorismo no País é voltado aos setores de comércio e de serviços, com complexidade tecnológica pequena. Assim, com divisão em três grupos, o GEM colocou os brasileiros entre as 24 nações impulsionadas pela eficiência, ou que criam produtos sem inovação. A condição do Brasil é intermediária entre os sete países analisados como fornecedores de matéria-prima e os 23 que possuem alto nível tecnológico, também conhecidos como de inovação.
''Só 6,8% dos empreendedores brasileiros têm criado produtos. O País é o 46º entre os 54 em inovação. No grupo de 24, é o 21º'', conta Basso.
Vale lembrar que o GEM considera apenas a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA, na sigla em inglês), que estejam com empresas de até 12 meses, assim como os consolidados, ou com menos de 42 meses no mercado.
Com 26,9% da população adulta como proprietária ou administradora de um empreendimento, o Brasil tem números acima da média dos impulsionados pela eficiência. Entre os iniciais, o País tem 14,9% de pessoas ante 10,9% de todo o grupo. A China lidera, com 24%.
Entre os empreendedores estabelecidos, a Tailândia está na primeira colocação, com 30,1%, enquanto o Brasil tem 12,2%. A média do grupo fica em 7%. A conta dos empresários brasileiros iniciais e os estabelecidos ultrapassa os 26,9%, já que alguns estão nas duas categorias.



