PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de junho de 1998
Vânia Casado e Carmem Murara 
A elevação do índice de adição de álcool anidro na gasolina, de 22% para 24%, vai reduzir em 500 milhões de litros os estoques de 1,8 bilhão de litros de álcool no País em um ano. O cálculo é da Associação Paranaense de Produtores de Álcool e Cana (Alcopar). A medida é importante, mas deveria vir acompanhada de outras reivindicações feitas pelo setor sucroalcooleiro para pôr fim a uma crise gerada com o excedente de produção, provocada pelo próprio governo, que não soube planejar o tamanho da safra em 97, resume o diretor Paulo Zanetti.
Para Zanetti, o governo deveria obrigar o Rio Grande do Sul a utilizar o álcool na gasolina para reduzir ainda mais os estoques. O RS utiliza o MTBE, um oxigenante derivado do petróleo que é altamente poluidor e não tem o efeito de reduzir estoques. Se o Rio Grande aderisse, mais 400 milhões de litros de álcool por ano seriam subtraídos, calcula Zanetti.
A elevação da alíquota de importação de 25% para 35% também contribuiria para a redução. Por fim, o setor reivindica um financiamento dos estoques. Segundo Zanetti, se o governo não adotar essas medidas logo vai agravar ainda mais a situação do setor, que não sabe o que fazer com os seus estoques. Isso porque até agora os produtores não têm informações sobre o plano de safra de 1998, que deveria ser divulgado até maio. Sem o plano, os produtores estimam que vão repetir a safra de 97, com 16 bilhões de litros de álcool e 13,5 milhões de toneladas de açúcar.
VarejoNo varejo, a mudança foi bem recebida. Para nós e para o usuário não haverá qualquer diferença, garante o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis), Pedro Milan. Ele afirma que não haverá alteração no preço com o aumento da mistura, a não ser que as distribuidoras decidam reduzir o valor do combustível. A economia é de milésimos por isso não acreditamos que a gasolina fique mais barata, afirma.


