Juros e dólar caem
Os juros futuros ampliaram as quedas iniciadas há dois dias embalados pela percepção de que o esperado ciclo de aperto monetário no País poderá ser mais curto e menos intenso do que o esperado. Uma das razões nesse sentido seria a expectativa de que o governo venha a adotar uma disciplina fiscal mais rígida. É consenso no mercado de que a Selic vai subir este mês, mas os investidores passaram a elevar suas fichas numa alta moderada, de 0,25 ponto porcentual em vez de 0,50 ponto.

Bovespa
A Bovespa subiu pelo quarto dia seguido, desta vez 1,28%, aos 64.175,0 pontos - maior pontuação desde 5 de março. Os operadores do mercado cambial também monitoraram o comportamento externo da moeda americana, que chegou a subir ante o euro após o dado mais robusto do ISM de Serviços em março mas depois recuou. Os investidores reduziram posições na moeda norte-americana em reação ao aumento acima do esperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA, que elevou a cautela com o relatório de payroll (dados de emprego) do mês de março (a previsão dos economistas é de uma perda de 50 mil vagas), que será divulgado hoje

Taxas futuras
O ambiente externo ameno também favoreceu o declínio das taxas futuras e dólar no mercado à vista pela terceira sessão consecutiva. Em Nova York, as Bolsas recuperaram as perdas iniciais a despeito do índice ISM do setor de serviços acima do esperado, do relatório negativo sobre os pedidos de auxílio-desemprego, e a apreensão com os números do payroll, que saem hoje nos EUA. A Bovespa manteve-se em terreno positivo pelo quarto dia com a ajuda ainda de Vale e Petrobras, retomou o patamar de 64 mil pontos e passou a apurar ganho de +0,45% no ano.

Juros
Nem o leilão de papéis prefixados do Tesouro nem o IPC-Fipe acima do esperado seguraram a queda dos juros futuros, sobretudo nos contratos longos que represam prêmios mais elevados. Segundo operadores, o mercado está se ajustando à idéia de que o ciclo de aperto monetário será mais curto e menos intenso do que o esperado.

DIs curtos
O volume de negócios na BM&F esteve concentrado nos DIs curtos, que se movimentam a partir das expectativas para a política monetária nos próximos meses. Como se viu no dólar e na Bovespa, o bom humor também prevaleceu no mercado de juros, amparado ainda no desempenho das bolsas americanas, que estavam em alta no fechamento da sessão regular da BM&F. O DI janeiro de 2010, com 247.080 contratos, recuou de 13,17% para 13,12%. Com 246.032 contratos, o DI janeiro de 2009 fechou em 12,29%, de 12,335 ontem. O DI julho de 2008, 94.495 contratos, fechou quase estável, em 11,50%, de 11,51% ontem.

Selic
A aposta de que a Selic vai subir este mês segue firmemente precificada na curva, mas a possibilidade de que o aumento seja de 0,5 ponto porcentual vem perdendo espaço nos últimos dias. A previsão de um ajuste de 0,25 ponto na Selic em abril está sendo consolidada a partir de vários sinais, entre eles as conclusões tiradas do debate esta semana em torno de uma disciplina fiscal mais rígida por parte do governo.

Idéia
O mercado não comprou a idéia de que uma economia maior - seja com aumento da meta informal de superávit, já descartado pelo governo, seja com um contingenciamento do Orçamento de 2008 de até R$ 20 bilhões - esteja sendo negociada em troca de uma estabilidade da taxa de juro. Mas, ainda que nada de concreto tenha saído deste debate emplacado pela imprensa esta semana, considera-se que uma política fiscal austera agora teria efeito mais imediato sobre a demanda agregada que do que o aumento da Selic, colaborando, assim, para que o aperto monetário seja mais brando.

Inflação
Pelo lado da inflação, a Fipe informou que o IPC subiu 0,31% em março, superando o teto das projeções dos analistas, que era de 0,30%, e o índice de fevereiro (0,19%). Para a abril, a expectativa da Fundação é de uma alta ainda maior, de 0,51%. Para 2008, a previsão foi elevada de 4% para 4,10%. Embora ainda nem tenha sido decidida de fato, a possível alta da Selic já traz aumento de custos para as captações do Tesouro, que sofrem ainda os efeitos da volatilidade externa e da tributação de investimentos estrangeiros com IOF. Os papéis prefixados são os mais castigados pela expectativa de alta de juro e a aversão a este risco pode ser vista na elevação das taxas pagas nos leilões primários.

Atenções
Hoje, as atenções se voltam à divulgação do payroll de março nos EUA e a expectativas é de queda de 50 mil na criação de postos em março. O documento será importante para balizar as apostas para a próxima reunião do Fed em abril que, por enquanto, são de nova redução de juro, em 0,25 ponto. No Brasil, o mercado vai avaliar os dados da Anfavea referentes a março.

Perdas
Pela manhã de ontem, o recuo das bolsas em Nova York foi provocado por perdas de ações dos bancos de investimento Goldman Sachs, do Morgan Stanley, do Lehman Brothers Holdings e do Merrill Lynch & Co, que estariam sendo monitorados por funcionários do Fed. No entanto, as ações do setor financeiro passaram a subir depois que o jornal japonês Nikkei citou o presidente do Merrill Lynch, John Thain, afirmando que o banco não precisa levantar mais capital novo, informou a Dow Jones. No fim da sessão, o índice acionário Dow Jones estava em alta de 0,16%, o S&P, de 0,13% e o Nasdaq, de 0,08%.

Agência Estado

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