O governo brasileiro, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento Econômico Indústria e Comércio (MDIC), acaba de lançar o ''Programa Brasileiro de Aproveitamento de Resíduos - Ciclo Brasil''. Idealizado pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade, o programa tem o objetivo de implementar ações estratégicas para viabilizar processos capazes de agregar valor econômico aos resíduos, incrementando a competitividade do setor produtivo nacional.
O Ciclo Brasil foi anunciado durante a reunião preparatória para a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, chamada Rio + 10, que irá acontecer em setembro deste ano, em Johannesburgo, na África do Sul. Na ocasião, diante de uma platéia formada por representantes de inúmeras entidades públicas e ONGs, nacionais e internacionais, o governo divulgou que o Programa Brasileiro de Aproveitamento de Resíduos visa o estabelecimento de uma estratégia própria e adequada ao desenvolvimento industrial sustentável em nosso País.
Em relação aos resíduos - especialmente aqueles oriundos das indústrias - sabemos, com toda a certeza, que o melhor seria não gerá-los. Porém, este esforço de minimização às vezes esbarra em limites técnicos, financeiros e até mesmo sociais. E é justamente nestes casos que o Programa Ciclo Brasil oferece a possibilidade de reverter o problema: através de parcerias, e com o apoio do governo, as sobras de um determinado processo industrial deixarão de ser encaradas como resíduos para se transformarem em uma nova possibilidade de negócio.
Dentro do Programa Ciclo Brasil, o que é resíduo totalmente dispensável para uma determinada empresa pode ser matéria-prima vital para outra. O trabalho do programa é reunir as duas partes, consolidar parcerias e oferecer a melhor solução para fazer com que este resíduo cumpra o seu ciclo, diminuindo desperdícios de um lado e aumentando lucros do outro. Mas as vantagens dessa iniciativa não são medidas apenas em reais. Além de contribuírem para diminuir os índices de poluição e otimizar o uso dos recursos naturais do planeta, os integrantes do programa também irão agregar valor institucional à sua imagem. E isso inclui empresas dos mais variados segmentos, ONGs, escolas, universidades e cooperativas, entre muitos outros possíveis parceiros.
Na prática, com a adoção dessa estratégia de desenvolvimento sustentável, o meio ambiente não perde e o ciclo de vida do planeta é conservado. O Brasil quer incrementar sua produção industrial, mas precisa traçar estratégias sustentáveis e criativas para não repetir os padrões observados nos processos de outros países. O lema do programa é ''Resíduo não é lixo''. Em muitos casos, a realidade ainda é bem diferente. Por enquanto. Tudo vai depender da capacidade que tivermos, como sociedade organizada, de implementar e recriar este novo ciclo.
Rosimery F.Oliveira é consultora do Núcleo de Desenvolvimento Sustentável do IBQP
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