O Brasil ainda pode fechar o ano com reservas internacionais de US$ 45 bilhões. E com um cheque visado, emitido pelo FMI, para saque futuro, se e quando necessário, de outros US$ 41,5 bilhões. De sobremesa, a reabertura de linhas de crédito privado por bancos americanos, europeus e japoneses. Linhas já reabertas para o México e a Argentina. E as empresas globais, instaladas entre nós, fecham o ano com a inclusão de capitais produtivos da ordem de US$ 24 bilhões. Com provável repeteco da imensa dose no ano que vem, na estimativa de Gustavo Franco, presidente do Banco Central.
Bola azul da vez para o investimento internacional das múltis na chamada economia real, o Brasil pode recepcionar nesse triênio 1997/99 nada menos de US$ 66 bilhões, na reavaliação de Gustavo Franco. Algo parecido com metade do que as múltis de todas as bandeiras investiram no Brasil desde o final do século passado. Ou metade da transfusão de um século em apenas um triênio. É bom lembrar que o ingresso de capitais produtivos significa a transferência definitiva para o Brasil de empresas, mercados, parcerias, negócios, tecnologias, empregos, salários e impostos. Parece que só o PC do B e a CNBB estão contra isso.
Na catequese concluída ontem em Londres e iniciada na semana passada em Nova York, com escalas em Frankfurt e Paris, o ministro Pedro Malan procurou demonstrar a governos, a banqueiros e a investidores ainda ressabiados que o programa de estabilidade fiscal está no rumo certo e no ritmo adequado. O Congresso está somando para o ajuste do setor público deficitário e endividado. E o risco de uma desvalorização do real não passa de temores fabricados por especuladores que apostaram pesado na máxi que não houve.
Pedro Malan deixou claro que o ajuste brasileiro é recessivo no curto prazo. A retomada pode ser propagada, segundo ele, a partir de maio ou junho. Com queda gradual dos juros na base e na ponta. Os da base, para o piso de 20% na média gregoriana de 1999. O programa de estabilidade fiscal joga com a média anual de 21,8%. Meta que ainda pode ser revista no acordo com o FMI, cujo board faz a primeira reunião de avaliação do Brasil na semana que vem, dia 2.
Interessante. Antes, o Brasil guinchava os juros para a face oculta da Lua por exigência dos investidores internacionais. Agora, os mesmos investidores, pelo trombone do FMI, sustentam que o risco maior do Brasil está justamente na manutenção de juros na Lua. Sem mistério. De susto em susto, os investidores deram de trocar a rentabilidade máxima pela liquidez total e pela segurança plena. Dica de ouro para acelerar a redução dos juros para menos de 20% na travessia de 1999. Ano do vai ou racha ou rebenta o caixa.
Pela Ásia





