A Companhia Paranaense de Energia (Copel) planeja ampliar a produção de energia eólica dos atuais 270 megawatts (MW) de potência instalada para 3 mil MW, em 2018, para ganhar mercado e tentar aumentar a oferta de um tipo de eletricidade que tem o custo-benefício cada vez melhor e que poderia diminuir o prejuízo das distribuidoras em caso de seca, como a vivida neste ano. O passo mais recente foi a compra em novembro de 100% dos projetos do Complexo Eólico Santos, no Rio Grande do Norte, que deve elevar a capacidade de produção para 545 MW.
No País, a capacidade de produção de energia a partir dos ventos quase dobrou em um ano, ao passar de 3,4 mil MW em 2013 para 6,3 mil MW em 2014. Para 2015, a previsão é de 9,8 mil MW, segundo o boletim de novembro da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A ampliação é importante porque gerará menos dependência das termelétricas em caso de seca, diz o diretor da Copel Renováveis, engenheiro Edson Sardeto. "O vento tem uma certa complementariedade com a água: venta mais no seco e menos na chuva", afirma. Para ele, as térmicas poderiam se tornar uma reserva para as eólicas no futuro.
Como hoje as termelétricas são a maior garantia de energia por problemas climáticos, o País vive a expectativa de que a tarifa de eletricidade aumente substancialmente no ano que vem. Os reajustes deste ano, como o de 24,86% da Copel, já foram altos e justificados pela falta de água para a produção em hidrelétricas, principalmente no Sudeste do País. "Se em vez das térmicas estivéssemos com a eólica, não se pagaria nada porque o vento é de graça e o óleo é caro", diz Sardeto, destacando que o vento também é um combustível limpo.
O próprio governo federal busca ampliar a produção desse tipo de energia desde 2004, para baratear custos no longo prazo, por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Pela iniciativa, parte da aquisição de energia em leilões da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é destinada a um tipo de energia e dividido entre empresas, o que faz com que se amplie o leque de opções e de avanços tecnológicos. O foco recaiu sobre a eólica a partir de 2009, diz Sardeto, após a crise econômica mundial estourar e sobrarem aerogeradores nas mãos de fabricantes, que viram no Brasil um mercado em potencial. Nos próximos anos, será a vez das usinas solares.

INVESTIMENTOS


Neste cenário, a Copel adquiriu parques eólicos a mais de 3 mil quilômetros do Paraná, no Rio Grande do Norte. O motivo é que o vento na região possibilita produção maior com o mesmo investimento que seria feito no Paraná, por exemplo. "A Copel não deixa de investir no Paraná, mas precisa investir em energia eólica, que tem mais força no Nordeste e no Rio Grande do Sul", explica Sardeto. A produção atual, de 270 MW, equivale ao consumo de 1,5 milhão de residências.
O maior parque em atividade da Copel é o Brisa Potiguar, formado por sete parques divididos em duas grandes áreas, que abrigarão 68 aerogeradores com potência total de 183,6 MW. O complexo estará em pleno funcionamento até março de 2015. Vale destacar ainda o São Bento do Norte, com 94 MW instalados, e que deu início à produção no mês passado, e o Complexo Cutia, com 200 MW e que deverá entregar energia em 2017.
O engenheiro afirma que os investimentos são estratégicos para a companhia diante da preferência da EPE pela energia eólica nos últimos leilões. "Como geradora, não podemos ficar fora dessa. Se não investir na ampliação, vamos perdendo market share."

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