Transporte público de qualidade beneficia a economia de Londrina
Investimento na frota de ônibus proporciona mais conforto e praticidade aos passageiros; aliado ao vale-transporte, alivia o orçamento das famílias
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 2026
Investimento na frota de ônibus proporciona mais conforto e praticidade aos passageiros; aliado ao vale-transporte, alivia o orçamento das famílias
Aline Machado Parodi Especial para FOLHA 

A renovação da frota de ônibus da Transporte Coletivos Grande Londrina, que somou um investimento de R$ 90 milhões, trouxe mais conforto para os passageiros do transporte público, principalmente para os trabalhadores que usam diariamente o sistema. Eduardo Pontes da Silva, 26 anos, é só elogios para os novos veículos. “Os ônibus são muito bons, confortáveis, tem wi-fi”, disse. Ele utiliza as linhas 803 e 430 diariamente para ir trabalhar.
Além do conforto no deslocamento para o serviço, ele também conta com um benefício no bolso. Silva ganha vale-transporte da empresa em que trabalha e esse benefício ajuda no orçamento da família. O servidor público G. F. P. C., 17, utiliza diariamente a linha 314 para ir ao trabalho e afirma que, além da economia, o uso do vale-transporte agiliza a utilização do transporte. “Com o vale-transporte você não precisa ficar esperando troco. Agiliza o deslocamento”, comentou.
Papel fundamental
O vale-transporte tem papel fundamental no orçamento das famílias e na dinâmica econômica de Londrina, segundo o professor de Economia Elcio Cordeiro da Silva, da Faculdade Anhanguera. Na avaliação dele, o vale-transporte atua diretamente no alívio das despesas familiares ao reduzir o peso do deslocamento diário.
“Isso acaba auxiliando justamente no deslocamento, ou seja, uma parcela da renda que seria utilizada com transporte passa a ser alocada para a continuidade das necessidades da própria família”, explica. Para ele, o benefício “tira um pouco do peso da renda, do gasto da família com o transporte” e permite que esse valor seja direcionado ao consumo, ao lazer e a outras necessidades básicas.
O economista explica que o vale-transporte se configura como uma política pública de mobilidade urbana ao “amenizar o impacto do deslocamento na renda da família, permitindo que ela tenha uma parcela maior da renda para gastar com outros bens”.
Para quem recebe o benefício, o impacto vai além do orçamento doméstico e alcança a economia local. “Uma parcela do valor que seria utilizada para o deslocamento acaba sobrando para a família, que pode alocar esse recurso no comércio, na compra de roupas, sapatos ou na própria alimentação”, explica o professor. Ele observa que, nos últimos tempos, a alimentação tem ocupado uma fatia cada vez maior dos gastos familiares, e o vale-transporte contribui para que as famílias “se alimentem melhor, tenham um consumo melhor e acesso ao lazer”.
Esse movimento, segundo o professor, fortalece o comércio e os serviços da cidade. “Isso tudo movimenta o mercado local, aumenta o comércio, não só do centro e dos shoppings, mas também a área de lazer que a cidade oferece”, afirma. Para ele, essa “sobra de renda” gera bem-estar e acesso a bens e serviços que muitas famílias não teriam se precisassem destinar esse valor exclusivamente ao transporte.
O economista destaca, ainda, os ganhos indiretos da mobilidade urbana eficiente. Com mais pessoas utilizando o transporte coletivo, há redução de congestionamentos e ganho de tempo no deslocamento diário. “Essa economia de tempo permite que a pessoa tenha lazer, como ir ao cinema, por exemplo. Se há congestionamento, ela não chega no horário e acaba trocando isso por um streaming em casa”, compara.
Economia local
O professor avalia que, quando o transporte público funciona melhor, o dinheiro permanece na cidade. “O que poderia ser gasto no shopping, na pipoca, no refrigerante, acaba indo para uma empresa de fora do município quando a pessoa opta por um serviço de streaming”, observa. Por isso, ele defende que a mobilidade urbana não só melhora a qualidade de vida, mas também fortalece o comércio local e a economia de Londrina como um todo.

A presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Vera Antunes, afirma que “um serviço de transporte público de qualidade é fundamental para ampliar a mobilidade urbana e favorecer a circulação de pessoas por estabelecimentos comerciais de diferentes regiões da cidade. O ambiente urbano se torna mais dinâmico e o comércio local cada vez mais forte e prestigiado pela população. Dessa forma, os comerciantes atingem uma camada maior de clientes, o que resulta no aumento das vendas e no fortalecimento da nossa economia local.”


