Em cidades grandes, como Londrina, o transporte público coletivo por ônibus não é apenas uma opção de deslocamento: é um dos principais modais da mobilidade urbana, essencial para o funcionamento da economia e para a qualidade de vida da população. É justamente nesse serviço — em que o Brasil vive uma crise reconhecida — que Londrina registra um resultado fora da curva: 94,70% dos passageiros aprovam o Sistema de Transporte Coletivo da cidade.

Os números são resultado de uma pesquisa realizada entre 1º e 3 de julho, com 400 passageiros ouvidos presencialmente em todas as regiões e distritos do município. O levantamento é da Ômega Pesquisas.

“83,6% dos entrevistados usam o transporte toda semana, e 35,5% usam todos os dias. É a avaliação de quem conhece o serviço no detalhe, colhida presencialmente em todas as regiões da cidade. Quando um público desse perfil registra esse nível de satisfação, é um diagnóstico excelente em se tratando do segmento de transporte coletivo no Brasil” afirma Nelson Menezes, diretor da Ômega Pesquisas.

Investimento na frota

A alta aprovação constatada na pesquisa se justifica, principalmente, pelo investimento realizado na frota. São 381 ônibus em operação na cidade, sendo que 177 são equipados com ar-condicionado. A idade média de 2,4 anos é uma das menores do Brasil, num país em que capitais convivem com veículos de mais de dez anos rodando. Só entre 2023 e 2025, a TCGL e a Prefeitura colocaram 191 ônibus zero-quilômetro nas ruas. Os veículos têm chassi Mercedes-Benz com motor Euro 6, padrão que reduz em cerca de 75% a emissão de poluentes em relação à geração anterior.

Dentro do ônibus, a lista de equipamentos vai além do oferecido na maioria dos municípios brasileiros, comparável a cidades europeias, que inclui: veículos com ar-condicionado, Wi-Fi gratuito, tomadas USB dos tipos A e C para carregar o celular e 4 câmeras de segurança por veículo.

Nos oito terminais — limpos e integrados —, 550 câmeras ligadas a uma central acompanham a movimentação em tempo real, proporcionando mais segurança ao público de todas as idades que circulam pelas instalações. Os métodos de pagamento – outra inovação londrinense à frente das demais cidades brasileiras – são mais uma comodidade oferecida aos passageiros: nos ônibus, além do Cartão Transporte, é possível pagar com cartão de débito e crédito por aproximação. Já a recarga de créditos pode ser feita por Pix em totens de autoatendimento nos terminais e na Loja de Créditos.

Quem conduz tudo isso também foi avaliado. A conduta dos motoristas é o item mais elogiado da pesquisa: 8 em cada 10 passageiros a classificam como ótima ou boa, e as críticas não chegam a 4%. Para Rogério Martins, diretor-executivo da Grande Londrina, o resultado é fruto do treinamento que a empresa oferece aos profissionais: “Todos os motoristas passam por cursos de capacitação, como direção defensiva, relações humanas e atualizações constantes sobre os equipamentos e tecnologia embarcada nos ônibus”, explica.

Segundo Martins, o reflexo dessa aprovação teve um impacto positivo para a empresa: “A demanda da Grande Londrina cresceu 9,31% em 2025. Assim, estamos operando com cerca de 90% do movimento anterior à pandemia, acima da média nacional, que é de 80%”.

Gestão inteligente

Dando apoio aos motoristas está o Centro de Inteligência Operacional (CIOP), que monitora 100% da frota, reunindo no mesmo espaço o poder público e as operadoras Grande Londrina e LondriSul.

CIOP faz gestão em tempo real do transporte e amplia ainda o status de Londrina como cidade inteligente
CIOP faz gestão em tempo real do transporte e amplia ainda o status de Londrina como cidade inteligente | Foto: Aline Parodi

Hoje, com cerca de 35 profissionais atuando de forma integrada, o centro faz a gestão em tempo real do sistema. O acompanhamento de todos os ônibus em movimento possibilita identificar falhas ou gargalos. Assim, o planejamento reavalia e ajusta a programação quando necessário.

É o primeiro centro com esse modelo na América Latina. A tecnologia já é utilizada em cidades como Nova York e Chicago, além de operações de grande porte como o complexo da Disney World e países europeus, como a Itália. No Brasil, sistemas semelhantes estão em fase de implantação em outras cidades, como São Paulo, mas Londrina saiu na frente ao reunir, no mesmo ambiente físico, concessionárias e órgão gestor.

Para Cristiane Cordeiro, presidente da Londrina Inteligente, governança local que visa promover Londrina para uma das 10 cidades mais inteligentes da América Latina, o CIOP é um dos grandes ativos do munícipio: “Uma cidade inteligente também deve ser uma cidade onde as pessoas são felizes. E a mobilidade está diretamente ligada a esse conceito. Quando a população tem uma estrutura como o CIOP na gestão do transporte, isso resulta em rotas planejadas e menos tempo em deslocamentos. Consequentemente, mais qualidade de vida para os cidadãos que utilizam o transporte coletivo”.

A percepção se repete fora do universo dos passageiros: na pesquisa de 2025 do Fórum Desenvolve Londrina, levantamento independente sobre a cidade, o transporte público apareceu entre os cinco aspectos mais bem avaliados de Londrina, sendo que somente 5% dos moradores o citaram como preocupação.

O presidente do Fórum Desenvolve Londrina, Angelo Pamplona comenta que em 2025, o Fórum Desenvolve realizou a XIV Pesquisa de Percepção da População sobre a cidade de Londrina e no item sobre “Sentimento de Pertencimento”, 22,5% dos entrevistados responderam que consideram o transporte público a característica mais positiva na cidade.

O resultado de todo esse investimento, realizado a partir da visão estratégica sobre mobilidade da atual gestão municipal, já rende frutos e é um case nacional do segmento com premiações pelo ITS (Intelligent Transport System), dados em tempo real de todo sistema de transporte para gestão inteligente. Renan Salvador, presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, reforça esse conceito:

Renan Salvador, presidente da CMTU: “Toda e qualquer decisão deve ser baseada em dados, ainda mais quando essa decisão impacta uma cidade grandiosa como Londrina”
Renan Salvador, presidente da CMTU: “Toda e qualquer decisão deve ser baseada em dados, ainda mais quando essa decisão impacta uma cidade grandiosa como Londrina” | Foto: Heloísa Gonçalves

“No mundo de hoje não existe mais espaço para ‘achismo’. Toda e qualquer decisão deve ser baseada em dados, ainda mais quando essa decisão impacta uma cidade grandiosa como Londrina. É nesse modelo de gestão que colocamos toda nossa força para levar cada dia que passa mais benefícios ao londrinense. Uma cidade inteligente que coloca o cidadão no centro e traz tecnologia para acelerar seu desenvolvimento”.

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