A demanda de passageiros no transporte coletivo de Londrina apresentou crescimento em 2025. Os dados mostram que o município caminha na contramão da tendência nacional, onde muitas cidades ainda enfrentam dificuldades para reconquistar os passageiros perdidos durante a pandemia. A notícia foi publicada pelo jornal especializado de circulação nacional “Diário do Transporte”, em 1 de janeiro.

Em 2025, o número de passageiros saltou de 1,48 milhão para 1,62 milhão de usuários pagantes, o que significa um crescimento de 9,31%. O desempenho coloca Londrina em posição de destaque no panorama nacional da mobilidade urbana. Enquanto os sistemas de transporte do País operam com 80% a 81% do volume de passageiros do período pré-pandemia (2019), Londrina já alcançou cerca de 90%.

"Com certeza este aumento é fruto de todos os investimentos feitos no transporte público nos últimos anos. Londrina hoje é a cidade com uma das frotas mais novas e de melhor qualidade do País. Dentre as cidades de médio e grande porte é uma das únicas que apresentou aumento na demanda de passageiros, enquanto as outras mantiveram ou perderam público", afirmou Fernando Porfírio, diretor de transporte da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina).

O diferencial de Londrina está nos investimentos em modernização, que abrangeu desde a renovação da frota até a implantação de tecnologias que mudaram a experiência do usuário.

A TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) adquiriu 96 ônibus novos. A frota conta com veículos com ar-condicionado, suspensão a ar, câmeras de segurança e tomadas USB para recarga de celulares. Hoje, quase 60% da frota da companhia conta com climatização, um conforto especialmente valorizado nos dias quentes em Londrina.

Nos terminais, as mudanças também são visíveis. São mais de 85 telas informativas e 550 câmeras espalhadas pelos nove terminais da cidade. Os espaços ganharam Wi-Fi gratuito e alguns se tornaram verdadeiros pontos de trabalho remoto.

Os investimentos se refletem na percepção dos moradores. Segundo a XIV Pesquisa de Percepção da População sobre a cidade de Londrina, realizada pelo Fórum Desenvolve Londrina em 2025, o transporte público figura entre os cinco aspectos mais positivos da cidade, citado por 22,5% dos entrevistados, à frente de outros serviços públicos, como saúde (10,2%) e segurança (10,2%).

O dado ganha ainda mais relevância quando comparado com as preocupações dos londrinenses: apenas 5% dos participantes apontaram o transporte público como motivo de preocupação. O índice é baixo, se considerar que no país a mobilidade urbana costuma figurar entre as principais queixas da população.

Para Paulo Bongiovanni, diretor-geral da Grande Londrina, o maior prêmio para a cidade é a volta do passageiro, demonstrada diretamente na comparação com os números de outros municípios.

“Veja que em São José do Rio Preto o número de passageiros caiu 9%. Em Santos, a queda foi de 5% e, aqui do lado, em Maringá, a redução foi de 4%. Enquanto isso, nós crescemos 9,3%. Isso é a prova de que Londrina está no caminho certo e é referência nacional hoje, quando se fala em gestão de transporte coletivo e mobilidade urbana”.

Reconhecimento nacional e internacional

O modelo de gestão do transporte público de Londrina ultrapassou as fronteiras do município e ganhou reconhecimento em diferentes esferas. Em 2025, o sistema de Intelligent Transport Systems (ITS), que integra o Centro de Inteligência Operacional (CIOP), numa parceria inédita no Brasil entre concessionárias e poder público, conquistou o Prêmio P3C 2025 da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), na categoria Melhor Gestão Pública de Projetos Municipais. Certificação da ANTP no Congresso Brasileiro de Mobilidade Urbana, com inclusão no acervo permanente da Biblioteca do Congresso e foi selecionado para a COP30 pela ReDUS (Rede para Desenvolvimento Urbano Sustentável), integrando a plataforma GeoReDus de dados urbanos.

O projeto foi apresentado em dois painéis na COP30, que ocorreu em novembro em Belém (PA), demonstrando como a tecnologia aplicada ao transporte coletivo pode gerar benefícios sociais e ambientais. O sistema alcança pontualidade próxima ou superior a 90% entre o planejado e o executado, além de contar com 100% da frota acessível — garantindo autonomia para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

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