Ronaldo Luís Gonçalves-CEO da Camion
Ronaldo Luís Gonçalves-CEO da Camion | Foto: Da Redação

O setor automotivo brasileiro fechou 2025 com números que ajudam a explicar um movimento silencioso no mapa logístico do país. Enquanto as vendas de veículos novos alcançaram mais de 5,1 milhões de unidades emplacadas, com alta de 8,02% em relação ao ano anterior segundo a Fenabrave, o mercado de seminovos registrou recorde histórico: 4,7 veículos usados foram comercializados para cada novo emplacado, de acordo com dados da Fenauto. Esse volume gerou efeito direto sobre o transporte em cegonha em rotas interestaduais, com crescimento consistente da demanda em corredores que ligam grandes centros a cidades médias e regiões antes pouco movimentadas pelo setor. Estados como o Paraná, posicionado entre os principais mercados consumidores do Sul e do Sudeste, viram aumento expressivo de operações, especialmente em rotas que conectam Londrina, Curitiba, Maringá e Cascavel aos polos de origem dos veículos adquiridos à distância.

Por que a cegonha preferida

A escolha pelo transporte em cegonha, em vez da tradicional viagem de retorno por contaprópria, se consolidou nos últimos anos por razões que vão além da conveniência. Aprincipal delas é a preservação do veículo. Carros transportados sobre carreta cegonheiranão acumulam quilometragem, não sofrem desgaste de componentes mecânicos durante otrajeto e não ficam expostos aos riscos típicos de rodovias de longa distância. Para quemacabou de adquirir um seminovo em outro estado, essa preservação impacta diretamente ovalor de revenda futura e a durabilidade do bem.

A segurança é o segundo fator. Dirigir um veículo recém-comprado por centenas oumilhares de quilômetros, sem conhecimento prévio sobre sua condição mecânica real e semfamiliaridade com seu comportamento, expõe o comprador a riscos que o transporteprofissional elimina. Panes mecânicas em cidades desconhecidas, acidentes em rodoviasde alta velocidade, exposição a condições climáticas adversas e desgaste do própriomotorista são variáveis que saem da equação quando o veículo viaja sobre a carreta.

O terceiro fator é a previsibilidade. O cliente contrata o serviço, o veículo é coletado noendereço de origem e entregue no endereço de destino dentro do prazo combinado. Afamília, enquanto isso, segue sua rotina normal, viaja por meio mais confortável senecessário e organiza a recepção do veículo no destino sem precisar comprometer tempoprodutivo com uma viagem longa de volta.

A economia que surpreende

Um ponto que costuma surpreender compradores é a comparação de custos entre otransporte profissional e a viagem de retorno por conta própria. Quando são somadoscombustível, pedágio, alimentação, hospedagem (em rotas longas), passagem aérea deida, eventual preparação do veículo para a viagem e tempo perdido em deslocamento, ocusto total da operação por conta própria frequentemente supera o valor do transporteprofissional contratado. Em muitos casos, a cegonha sai mais barata e ainda preserva oveículo recém-adquirido.

A nova lógica da contratação

Até alguns anos atrás, contratar transporte em cegonha envolvia processo opaco, compesquisa individual junto a transportadoras, orçamentos em formatos incompatíveis edecisão tomada com informação fragmentada. Esse cenário mudou com a chegada deplataformas digitais que reorganizaram a contratação em ambiente comparativo. A Camion,por exemplo, opera no setor desde 2015 e, segundo a empresa, já intermediou o transportede mais de 250 mil veículos em rotas interestaduais por meio de sua rede. O clientepreenche um único formulário com origem, destino e dados do veículo e recebe trêscotações imediatas de transportadoras já verificadas competindo pelo frete.

A rede é composta por mais de 30 transportadoras parceiras especializadas, verificadasquanto à regularidade do CNPJ, ao registro na ANTT, ao histórico de entregas e àsavaliações reais de clientes. Toda a rede opera com seguro incluso para o veículo durante o trajeto e rastreamento durante o percurso. Para dúvidas durante o processo ouacompanhamento da operação, a empresa mantém atendimento 24 horas via WhatsApp,canal que permite comunicação ágil mesmo fora do horário comercial.

A diferença entre as propostas

Um dado que aparece com frequência em operações do setor é a amplitude entre aspropostas recebidas para o mesmo trajeto. Segundo informações divulgadas pela própriaempresa, a diferença entre a cotação mais alta e a mais baixa pode chegar a 30% para umamesma rota, refletindo variações legítimas entre estratégias comerciais, capacidade ociosae rotas habituais de cada transportadora. Para o cliente que compara, essa amplitude setraduz em economia direta sem comprometimento da qualidade da operação.

O novo mapa das rotas interestaduais

O crescimento do mercado de seminovos redesenhou rotas que historicamente operavamcom volume menor. Corredores entre o Sudeste e o Sul, incluindo trajetos para o Norte do

Paraná, passaram a receber movimentação constante tanto de veículos adquiridos àdistância por compradores pessoa física quanto de operações de logística reversarealizadas por revendedores profissionais e plataformas digitais de venda direta.

A combinação do recorde de seminovos com a nova lógica de contratação por plataformasdigitais consolidou um cenário em que o transporte em cegonha deixou de ser serviçorestrito ao segmento de montadoras e se estabeleceu como alternativa estruturada para oconsumidor final. Para quem compra carro à distância hoje no Brasil, a decisão sobre comoreceber o veículo passou a envolver variáveis que, até alguns anos atrás, nem apareciamno planejamento da aquisição.

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