Monitoramento por câmeras reforça segurança no transporte coletivo
Sistema inclui recursos de inteligência operacional, como a comunicação direta entre motoristas e o centro de controle
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de janeiro de 2026
Sistema inclui recursos de inteligência operacional, como a comunicação direta entre motoristas e o centro de controle
Aline Machado Parodi - Especial para FOLHA 

Quem anda de ônibus em Londrina pode nem perceber, mas o interior dos veículos e os terminais de integração são monitorados durante todo o tempo. O transporte coletivo conta com um robusto sistema de monitoramento por câmeras (CIOP - Centro de Inteligência Operacional) considerado fundamental para a segurança de passageiros, motoristas e para a própria operação do serviço.
Os 244 ônibus da frota da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) são equipados com quatro câmeras internas e externas, que gravam imagens e áudio de forma contínua durante todo o período em que os veículos estão em operação. O sistema funciona de forma offline. “Cada ônibus possui um DVR, semelhante aos equipamentos residenciais ou empresariais, conectado às câmeras e a uma mídia de armazenamento. O ônibus sai da garagem e já começa a gravar automaticamente, sem qualquer interferência do motorista”, explica Rogério Biceglia Martins, diretor executivo da Grande Londrina.
As imagens são armazenadas por um período curto, em média entre cinco e sete dias, devido ao grande volume de dados gerados diariamente. “Mas, quando ocorre algum incidente, as gravações são extraídas, separadas e preservadas pelo tempo necessário”, afirma o diretor.
Além dos veículos, todos os terminais de integração de Londrina também contam com monitoramento por câmeras, cujas imagens são acompanhadas pela equipe de segurança dos próprios terminais. No Terminal Central são 157 câmeras e, no total, são 520 câmeras instaladas nos sete terminais e na estação do Catuaí. Esse conjunto de ações permite respostas rápidas a situações de risco e apoio às autoridades quando necessário.
A auxiliar de limpeza Neide Bernardes Souza, 59 anos, se sente mais segura ao saber que há um sistema de monitoramento nos ônibus. “Se acontecer alguma coisa dá para ver nas imagens. Dá mais segurança para quem usa o ônibus”, disse. Ela costuma usar as linhas 106, 112 e 913 para se deslocar de casa para o trabalho e vice-versa.
Martins ressalta que o acesso às imagens é restrito. “As gravações só são fornecidas mediante solicitação de autoridade policial ou judicial. Não entregamos imagens a terceiros por questões de privacidade, segurança de dados e respeito aos usuários do transporte coletivo”, pontua. Em casos como perda de objetos ou suspeitas relatadas por passageiros, a equipe pode analisar o material internamente para tentar esclarecer os fatos.
Comunicação direta
O sistema também inclui recursos de inteligência operacional, como a comunicação direta entre motoristas e o centro de controle, por meio de uma tela instalada na cabine. Há ainda o botão de pânico, que pode ser acionado em situações de emergência. “Quando o motorista aciona o botão, o centro de controle é avisado imediatamente e já mobiliza equipes para intervir no próximo terminal”, explica Martins. Ele citou casos de assédio e outras ocorrências em que a atuação rápida evitou consequências mais graves.

O motorista Acácio Covino afirma que o sistema de monitoramento e de comunicação direta dão mais segurança para os motoristas e passageiros. “A câmera inibe até aquele passageiro que pede para andar de graça. Lembro ele que não posso deixar, pois têm as câmeras. Também inibe se a pessoa está com a intenção de assaltar o motorista ou os passageiros”, disse o motorista.
De acordo com o diretor executivo, a eficácia do monitoramento é clara. “Não temos números exatos, mas percebemos uma redução significativa de roubos, furtos e agressões dentro dos ônibus. As câmeras inibem esse tipo de crime, porque a identificação é rápida e precisa”, disse Martins. O sistema também tem sido essencial para esclarecer acidentes de trânsito, quedas de passageiros e conflitos verbais, já que as gravações captam tanto imagem quanto áudio.
Na comparação com outras cidades de porte semelhante, e até mesmo com capitais, Martins avalia que Londrina está à frente. “Os terminais costumam ser áreas vulneráveis em muitas cidades. Aqui, temos segurança eficiente, monitoramento de qualidade e um transporte coletivo que transmite confiança”, disse o diretor executivo.


