A renovação da frota de ônibus em Londrina marca um avanço significativo no controle de emissões poluentes no transporte coletivo. A cidade passa a adotar veículos equipados com a tecnologia Euro 6, alinhando-se ao padrão europeu que, há mais de uma década, regula emissões de motores a diesel.

Segundo o doutor em engenharia mecânica, Alysson Nunes Diógenes, professor do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental da Universidade Positivo, o Brasil tem passado por sucessivas adaptações às normas de emissões, e a chegada do Euro 6 representa a equiparação definitiva aos padrões europeus.

Sustentabilidade

A versão incorporada nos veículos da Transportes Coletivos Grande Londrina é a Bluetec 6, tecnologia exclusiva da Mercedes-Benz. A nova frota emite 80% menos óxido de nitrogênio (NOx), 50% menos material particulado (MP) e 72% menos hidrocarbonetos (HC).

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O novo sistema utiliza catalisadores capazes de transformar os poluentes resultantes da combustão do diesel, principalmente o monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio (NOx), em dióxido de carbono e nitrogênio. “O resultado é uma fumaça não tóxica, que já não produz chuva ácida e reduz drasticamente o impacto ambiental”, explica o professor. Diógenes afirma que os novos padrões representam uma queda de emissões que pode chegar a dez vezes menos poluentes em comparação com modelos antigos.

A regulação das emissões está inserida no Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). As normas entraram em vigor em janeiro de 2020, e o cronograma prevê que os veículos pesados estejam totalmente adequados entre 2027, 2029 e 2031.

Saúde

O impacto dessas mudanças é expressivo em termos ambientais e de saúde da população. “Estamos falando de prevenção das mudanças climáticas. O meio ambiente sente a diferença”, afirma Diógenes. “A adequação do Brasil a estas normas é um passo importante rumo à sustentabilidade.”

O médico pneumologista Ricardo Alves, docente da Universidade Positivo, explica que a exposição contínua aos compostos de NOx é altamente prejudicial para o sistema respiratório provocando irritação das vias respiratórias e tosse persistente, agravamento de asma, bronquite e redução da capacidade pulmonar, especialmente em crianças e idosos, maior frequência de pneumonia e outras infecções e aumento do risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, AVC e enfarte.

Ele afirma que com o aumento das soluções tecnológicas, como catalisadores SCR, combustíveis mais limpos e regras ambientais cada vez mais rigorosas, espera-se uma redução progressiva das emissões de NOx nos centros urbanos.

A adoção do Euro 6 em Londrina coincide com discussões globais sobre clima, especialmente após a COP realizada recentemente, reforçando a relevância do tema para políticas ambientais e urbanas.

“O impacto ambiental é muito significativo porque estamos falando de um veículo que polui menos que um automóvel de passeio e que uma moto, mas que transporta 70 pessoas ao mesmo tempo. Investir em veículos e tecnologias menos poluentes é uma das estratégias do prefeito Tiago Amaral para tornar Londrina uma cidade melhor para se viver, mais inteligente, com melhor mobilidade urbana e também mais sustentável”, afirmou Fernando Porfírio, diretor de transporte da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina).

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