O modelo de integração do transporte público de Londrina dá um alívio ao orçamento dos usuários. A integração física e temporal permite que sejam utilizadas mais de uma linha pagando apenas uma tarifa. A integração física ocorre dentro dos terminais urbanos e a temporal permite a troca de ônibus em qualquer ponto de parada em um intervalo de até 60 minutos após o primeiro embarque.

Para utilizar o benefício é necessário utilizar o cartão transporte. Ao passar o cartão, ele vai identificar que foi usado em menos de 60 minutos e o passe não será descontado. De acordo com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), o sistema de integração temporal não funciona nas catracas dos terminais. Se o usuário utiliza um ônibus, desembarca em qualquer ponto e depois volte ao sistema pelos terminais, neste caso não há a integração.

O benefício é útil, principalmente, para quem precisa realizar deslocamentos rápidos, como ir ao centro da cidade para resolver questões pontuais ou acessar serviços essenciais. Nesses casos, a pessoa consegue ir, cumprir suas tarefas e retornar utilizando apenas uma passagem, sem a necessidade de pagar uma nova tarifa. “Em vez de gastar duas passagens, ele utiliza somente uma”, destacou Elcio Cordeiro da Silva, professor de Economia da Faculdade Anhanguera.

Segundo ele, essa redução de gastos acaba refletindo diretamente em outras áreas essenciais da vida do usuário. De acordo com ele, o valor economizado no transporte geralmente é direcionado à alimentação. Ao longo do tempo, isso possibilita uma melhoria na qualidade alimentar e o acesso a produtos que antes não caberiam no orçamento familiar, justamente porque o dinheiro estaria sendo consumido pelo transporte.

Por exemplo, uma pessoa que utilize a integração cerca de três vezes por semana, economizando três passagens semanais, deixaria de gastar aproximadamente R$ 17,25 por semana. Em um mês, considerando quatro semanas, a economia chega a cerca de R$ 69 ou R$ 70. “Esse valor pode ser revertido no mercado ou no comércio local”, ressaltou o professor.

R.J.S.S., 17 anos, usa o sistema de integração e afirma que consegue economizar bastante. “Recebo vale transporte da empresa, então com a integração economizo o vale. Eu uso dois meses e não pego vale no terceiro. É mais de R$ 80 no salário no mês que não pego”, contou o usuário.

A integração também ajuda no orçamento de Adriana Lorencine, 49. Ela trabalha em uma empresa de limpeza e precisa se deslocar entre os diversos clientes que atende. “É muito bom, não preciso gastar com uma nova passagem. Para o bolso é um alívio”, comentou Adriana.

“Acredito que economizo uns R$ 100 por mês”, disse B.B., 15, que utiliza o sistema de integração para ir trabalhar. Ela pega três ônibus para chegar no trabalho, com a integração temporal gasta apenas duas passagens por dia, ida e volta do trabalho. “Ajuda bastante no orçamento”, afirmou.

Para quem recebe um salário mínimo, essa economia é considerada expressiva. O economista Elcio Cordeiro Silva chama a atenção para o fato de que o transporte público é mais utilizado por pessoas de menor renda, enquanto quem ganha mais acaba optando por outros meios. Ele defendeu que o transporte coletivo deveria ser usado por toda a população, como ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

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