A legislação brasileira assegura direitos às pessoas com deficiência, mas a implementação varia bastante entre municípios e regiões. Apesar da legislação, muitas pessoas ainda enfrentam barreiras para se deslocar com autonomia. Muitos usuários do transporte público de cidades de grande porte ainda encontram dificuldades de acesso aos terminais de ônibus, acessos a estações de metrô e falta de informações acessíveis.

Londrina sai na frente quando o assunto é acesso ao transporte público de qualidade e acessível aos usuários com deficiências e baixa mobilidade. A nova frota de ônibus da Grande Londrina, adquirida em 2025, trouxe mais conforto e acessibilidade aos usuários. Argemiro Honorato, de 63 anos, usa o ônibus diariamente para ir à missa e para quando precisa ir ao centro e afirma que o serviço melhorou muito este ano. “Está 100% melhor. As plataformas novas são 10. Deslizam melhor, não dão problemas e, aparentemente, são mais seguras”, contou Honorato.

Ele utiliza a linha 302. “Eu vou na missa todos os dias. Pego o ônibus, desço na avenida Maringá e vou de cadeira até a Rainha [Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, na avenida Tiradentes]. Às vezes, pego o ônibus até três vezes por dia, quando preciso ir a outros lugares”, relata. Ele também elogiou o espaço interno dos ônibus. “O espaço é bom e os cintos de segurança também. E os motoristas são muito gentis.”

Honorato utiliza uma cadeira de rodas desde 2009. Ele teve uma série de problemas de saúde que o colocaram na cadeira. Aos três meses de idade ele teve poliomielite e ficou com sequelas em uma das pernas. Depois de adulto sofreu um acidente de trabalho e fraturou a outra perna e teve complicações. Mas estar em uma cadeira não impede que ele circule pela cidade com qualidade e conforto.

A presidente do CMDPD (Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência), Adrielly Devito Cavalcante Ganeo, afirmou que “essa modernização é muito boa. Ficamos contentes com essas iniciativas.” Segundo ela, os motoristas são atenciosos, param, auxiliam e fazem todo o processo correto para que a pessoa com deficiência possa acessar o veículo. “A gente fica muito feliz de ver essa modernização, deles [Grande Londrina] se preocupando com todo o processo realmente, onde que vai ficar, como que vai prender essa cadeira, todo esse processo também dos elevadores, isso é muito bom”, disse Adrielly.

“Sobre o transporte, Londrina tem melhorado muito. Tem sido, sim, uma cidade que se preocupa, dentro dos ônibus, vamos assim dizer, com essa questão do conforto. O local é um local espaçoso, é um local onde a cadeira se prende muito bem, a pessoa se sente ali muito bem nesse processo de transporte”, comenta a presidente.

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) estabelece responsabilidades de acessibilidade em espaços públicos, incluindo o transporte. Ela traz princípios de design universal, adaptabilidade de infraestruturas e garantias de mobilidade. Já a Lei 12.587/2012, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana, orienta critérios para planejamento de sistemas de transporte e acessibilidade dentro das cidades.

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