FIIL destaca medidas que vão transformar municípios em polos de inovação
Evento chega ao fim com altas expectativas. Empresários, gestores públicos e população dialogaram sobre inovação e desenvolvimento do PR
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sábado, 29 de novembro de 2025
Evento chega ao fim com altas expectativas. Empresários, gestores públicos e população dialogaram sobre inovação e desenvolvimento do PR
Jéssica Sabbadini 

A segunda edição do FIIL (Festival Internacional de Inovação de Londrina) chega ao fim nesta sexta-feira (28) com o sentimento de missão cumprida. Foram inúmeras palestras, rodas de conversa e bate-papos sobre inovação e desenvolvimento regional e estadual.
Ao encerrar o ciclo de palestras desta edição do FIIL, o secretário de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, Alex Canziani, trouxe como destaque algumas das ações que o estado já está promovendo ou que estão em vias de começar buscando fomentar a temática dentro dos municípios.
Um dos pontos de destaque da palestra foi o programa Pacto pela Inovação, que agora vai fazer repasses “fundo a fundo” para que os municípios possam investir em inovação. Para isso, os municípios precisam criar uma Lei de Inovação, um Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e um Fundo Municipal de Inovação, que é por onde os repasses serão feitos.
“Nós vamos passar recursos do Fundo Paraná para os municípios para que eles possam fazer ambientes de inovação, para que eles possam comprar computadores, para que eles possam comprar telas interativas, carros elétricos”, explica, acrescentando que cada município precisa desenvolver o seu projeto de inovação para participar do programa.
Municípios inovadores
O secretário adianta que vão ser distribuídos até o final do ano R$ 55 milhões aos municípios por meio do Pacto pela Inovação. Canziani pontua que em municípios maiores, como Curitiba, Londrina e Maringá, já existe um ambiente favorável para a inovação, mas que nos pequenos ainda é necessário dar os primeiros passos e, por isso, as cidades menores vão ter prioridade na distribuição dos recursos.
Ele destacou o investimento de mais de R$ 8,5 milhões em eventos voltados à inovação em todo o estado, como é o caso do FIIL, e que recebem um grande número de visitantes, desde alunos até empresários e investidores. “A gente quer mostrar que a inovação faz a diferença”, afirma. O secretário trouxe como exemplo o Paraná Anjo Inovador, programa que oferta R$ 50 mil para que startups possam investir no negócio, e que deve abrir um novo edital em breve.
Canziani também comentou sobre um projeto estratégico para o futuro da região Norte do Paraná em parceria com o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em inglês), uma das melhores universidades do mundo e que tem um programa para acelerar o desenvolvimento de regiões.
“Nós fomos habilitados para poder fazer o projeto de desenvolvimento do Norte do Paraná”, adianta, detalhando que o projeto vai abranger a região entre os municípios de Cornélio Procópio. Segundo o secretário, países como Cingapura, Emirados Árabes Unidos e Finlândia já participaram do programa, que existe há 12 anos, sendo que essa é a primeira vez que um estado brasileiro foi habilitado.
Participação do público
A assessora de Relações Institucionais e Inovação da Fundação Araucária, Cristianne Cordeiro, destaca a grande participação do público nesta que é a segunda edição do evento, o que mostra que cada vez mais a inovação tem feito a diferença na vida das pessoas, fazendo com elas busquem maneiras e formas de inovar dentro dos seus negócios e até mesmo no dia a dia.
“Um movimento como esse, onde você faz conexões, onde você faz networking e, também, compartilha e recebe conhecimento, tem tudo a ver com esse momento que o Brasil está vivendo e que o Paraná está vivendo”, afirma. Segundo ela, o Paraná quer ser reconhecido como o estado mais inovador do país porque entende que através da inovação, é possível trazer desenvolvimento e melhoria para a qualidade de vida da população.
Diferente do que muitos ainda pensam, inovar vai muito além de fazer alguma grande descoberta, mas, sim, em fazer os processos cotidianos de formas diferentes. “Empreender e inovar é um caminho sem volta”, aponta, destacando a importância da troca de experiência, sedimentada pelo FIIL, para quem deseja inovar. “Inovar não é caro, inovar é investimento e, investir nisso, vai fazer a diferença”, afirma.
Edição histórica
Cordeiro é enfática ao dizer que a edição de 2025 do FIIL vai ficar na história por ser um marco do que é necessário continuar buscando para que o Paraná siga competindo com o resto do Brasil. “É mostrar que a gente pode, que a gente tem competência, que a gente tem capacidade porque nós temos pessoas para fazer isso. O evento mostrou que Londrina pode ser o grande polo da inovação no país”, comenta.
A inovação pode ser vista nos pequenos detalhes e que, muitas das vezes, podem passar despercebidos aos olhares da maioria das pessoas. Lucas Olivetti é fundador da Papel para Mechas, que esteve presente no Festival Internacional de Inovação de Londrina para contar um pouco da sua história e do que ele trouxe de novo para o mercado da beleza.
Ele explica que a empresa nasceu a partir da necessidade de resolver um problema visto nos salões de beleza: a utilização do alumínio nos processos de descoloração dos cabelos. Após o uso, o alumínio era descartado de maneira incorreta, o que, ao final de um ano, representava uma grande quantidade do metal no meio ambiente.
A partir da fala de um amigo que era cabeleireiro, surgiu a ideia de pensar em um papel que pudesse ser utilizado nos procedimentos de descoloração e que fosse sustentável. Após muito trabalho, ele começou a levar o produtos para que os salões de beleza pudessem testar, o que foi um processo difícil e marcado por barreiras, principalmente por não ser um profissional da área.
“Foram dois anos de persistência tentando mostrar para o mercado que existia um produto novo que resolvia um problema ambiental e um problema também dos salões de beleza”, relata, dizendo que tentou buscar a conscientização e mostrar os problemas relacionados ao alumínio. Ao bater de porta em porta, recebeu muitos “nãos”, sendo que a virada de chave veio com a ideia de oferecer o produto diretamente para as marcas de cosméticos.
Em outubro de 2020, o empresário afirma que, de fato, conseguiu se posicionar como indústria e atender grandes marcas. Olivetti explica que se trata de um material inovador porque é livre de metais e 100% sustentável.
A matéria-prima utilizada é a celulose, que vem da madeira de reflorestamento, o plástico é biodegradável, a cola vem da goma da mandioca e a tinta é atóxica e com base d’água.
Ele também detalha que foi possível anexar duas tecnologias no produto: uma que permite com que o oxigênio fique preservado dentro do papel, liberando os demais gases pelas laterais, o que evita manchas nas raízes do cabelo; e a outra que evita que o papel escorregue da cabeça, trazendo mais segurança para o cabeleireiro e conforto para o cliente.
“Inovar é a gente transformar o que já existe em algo novo. A inovação é olhar para o que ninguém está olhando, é sentir o que ninguém está sentindo, ouvir o que ninguém está pronto para ouvir e transformar tudo em isso um produto”, afirma. Hoje, a sua marca está presente em mais de 60 mil salões e atende 19 países.


