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CV Folha

m de leitura Atualizado em 31/05/2021, 20:22

Estoque de medicamentos: o desafio dos hospitais

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segunda-feira, 10 de maio de 2021

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Estoque – Belcher Farmacêutica Estoque – Belcher Farmacêutica
Estoque – Belcher Farmacêutica |  Foto: Divulgação
 

O crescente número de casos de Covid-19 trouxe para os hospitais brasileiros o desafio de manter os estoques de medicamentos para pacientes internados

Desde o início da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, especialistas na área da saúde alertam sobre a possível escassez de insumos hospitalares para o tratamento de pacientes internados com Covid-19. 

Na primeira onda de casos que assolou a Europa no início de 2020, hospitais de países como Itália, França e Espanha se depararam com a falta de medicamentos e insumos, devido ao número gigantesco de pessoas que necessitaram de internação hospitalar. 

Nos EUA, o sistema de saúde da cidade de Nova York esteve à beira do colapso com a falta de leitos e fármacos utilizados no processo de intubação de pacientes.

SEGUNDA E TERCEIRA ONDA DE COVID 

Após a tomada de medidas drásticas como o fechamento de estabelecimentos e ordens de isolamento social, a diminuição dos casos fez com que alguns países do bloco europeu relaxassem as medidas restritivas, provocando a explosão de uma nova onda de pessoas infectadas, em outubro do ano passado. 

No Brasil não foi diferente. Nos últimos 24 meses, o estoque de kits de intubação vem diminuindo por conta do alto volume de pacientes internados em estado grave. A indústria nacional, por sua vez, não conseguiu produzir quantidades suficientes de medicamentos e insumos para atender a demanda expressiva no país.

Carregamento de medicamentos e insumos hospitalares – Belcher Farmacêutica Carregamento de medicamentos e insumos hospitalares – Belcher Farmacêutica
Carregamento de medicamentos e insumos hospitalares – Belcher Farmacêutica |  Foto: Divulgação
 

A FALTA DE MEDICAMENTOS HOSPITALARES 

O resultado foi o caos. Nos últimos meses, as principais fabricantes e distribuidoras de medicamentos do país tiveram seus estoques esgotados. A saída foi buscar insumos no mercado internacional. 

Segundo Jabez Medeiros, executivo do setor hospitalar e representante das principais exportadoras de medicamentos para o Brasil, a previsão é de que o ramo ainda irá consumir grandes volumes de insumos nos próximos meses. 

“Estamos conseguindo suprir esta necessidade urgente, graças aos contratos pontuais que possuímos com empresas estrangeiras”, salienta Jabez.

O KIT INTUBAÇÃO 

Os fármacos necessários para intubar e manter a ventilação mecânica de pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs) são de três classes: analgésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares. 

Dentre os princípios ativos que compõe o chamado kit intubação, os mais consumidos são: Propofol, Midazolam, Fentanil, Morfina, Cetamina, Atracúrio, Rocurônio e Succinilcolina. 

A medicação de pacientes intubados deve ser mantida ao longo do tratamento, o que pode durar alguns dias ou mesmo semanas, de acordo com a gravidade de cada caso.  

A quantidade exponencial de casos, somada ao período extenso no qual os pacientes permanecem internados, tornaram-se os atuais desafios dos gestores de estoque de medicamentos hospitalares.

Caminhão carregado de medicamentos e insumos hospitalares – Belcher Farmacêutica Caminhão carregado de medicamentos e insumos hospitalares – Belcher Farmacêutica
Caminhão carregado de medicamentos e insumos hospitalares – Belcher Farmacêutica |  Foto: Divulgação
 

O ABASTECIMENTO DE MEDICAMENTOS NOS HOSPITAIS 

Consultado sobre o tema, Emanuel Catori, executivo da Belcher Farmacêutica, uma das principais importadoras de medicamentos do país, citou como exemplo a crise de abastecimento de seringas que ocorreu no ano passado. 

Catori explica que, diante do temor da escassez, a empresa era uma das únicas com condição de fornecer insumos hospitalares. “Desde aquela época até os dias atuais, nós estamos nos desdobrando para manter os estoques e garantir o fornecimento de medicamentos e insumos para a rede hospitalar. ” 

Perante a situação delicada, “a empresa precisou criar soluções para facilitar a aquisição dos produtos por parte dos clientes”, complementa o executivo. 

Sobre o aumento da procura por medicamentos, Jabez relata que precisou se adaptar à alta demanda: “Recebemos, em média, mais de 50 ligações de hospitais privados todos os dias, sem contar os hospitais públicos, com os quais já possuímos entregas programadas de medicamentos. Felizmente, estamos conseguindo atender a todos. ” 

A corrida global pelos medicamentos hospitalares continuará até que a pandemia esteja sob controle. Até lá, gestores de estoque e abastecimento em todo o país precisarão se antecipar aos eventos, para que uma nova crise de abastecimento não ocorra. 

Executivos consultados: 

Jabez Medeiros – Contato: https://bit.ly/3vVZCpx

Emanuel Catori – Executivo do setor farmacêutico. 

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