Clube de livros é aposta para o mercado digital na pandemia

Segmento busca oportunidades em meio à melhora do mercado editorial brasileiro

CV Folha
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Clube de livros é aposta para o mercado digital na pandemia
Freddie Marriage - Unsplash
 


Ao longo da pandemia do novo coronavírus, hábitos corriqueiros precisaram ser revistos. Uma simples ida à padaria, uma caminhada com o pet ou um encontro com familiares e amigos tornaram-se atividades impossíveis devido à necessidade de isolamento social. Com o aumento de casos, especialmente no Brasil, essas restrições continuam válidas e devem ser seguidas pela população. 


No Brasil, o mercado de livros vive um momento de retomada dos bons números, mesmo com a crise econômica em todos os setores, inclusive o cultural. Segundo o balanço anual do mercado editorial divulgado pela Nielsen em parceria com o Sindicato Nacional de Editores de Livros, as vendas de 2020 recuperaram as perdas da pandemia e fecharam no mesmo nível de 2019. 


Mercado editorial mostra reação 

O setor de livros movimentou R$ 1,74 bilhão em 2020, enquanto no ano anterior o faturamento foi de R$ 1,75 bilhão – uma queda de menos de um ponto percentual. Em termos de quantidade de obras vendidas, o ano passado superou o anterior em quase 370 mil livros, alcançando R$ 41,9 milhões. 


Muito desse bom desempenho aconteceu por causa das vendas digitais. Com os espaços públicos fechados, as livrarias físicas também foram impactadas. Assim, as editoras intensificaram as vendas de obras pela internet. O movimento foi seguido por gigantes do setor, que migraram para o digital de maneira voraz. 


Além das livrarias, há também um movimento crescente no Brasil de empresas especializadas em entregar livros em casa. Trata-se de clubes de leitura que funciona quase que como uma livraria particular, baseada nos gostos do cliente. Com um pagamento mensal, é possível receber em casa um livro exclusivamente selecionado por curadores. 


Livros infantis escolhidos a dedo 

Esse é um mercado não só para os adultos. Muitas empresas voltaram esse tipo de serviço a pais e mães que procuram ajuda na hora de adquirir livros para seus filhos, sobrinhos ou crianças interessadas em leitura. Com a curadoria de especialistas em literatura para crianças, o clube de leitura infantil tem facilitado um processo que, por vezes, pode ser responsável por desestimular essa atividade em uma idade fundamental. 


Durante a pandemia, além do aspecto digital, os clubes de leitura e do livro passaram a ser um ponto de apoio importante para os pais na interação com as crianças. Os transtornos causados pela COVID-19 causaram um impacto importante na saúde mental das crianças, que ainda não estão totalmente acostumadas com a ideia do ócio. 


Por isso, os adultos tiveram que encontrar alternativas para cuidar dos pequenos e, ao mesmo tempo, arranjar atrativos para uma rotina que, até pouco tempo, estava ancorada no trabalho, na escola e em algumas atividades extracurriculares, como natação ou aula de idiomas. 


A jornalista Sarah Dias comenta que uma das grandes características do clube de leitura infantil é o cuidado na escolha dos títulos. “Gosto muito do kit, pois vem com obras que você normalmente não compraria, muito por falta de conhecimento. Não é um algoritmo, é um trabalho de curadoria para ajudar seu filho”, afirma. 


Especialistas afirmam que a leitura na infância estimula a criatividade e amplia o repertório da criança. Isso pode melhorar, entre outras coisas, o processo de alfabetização dos pequenos e possibilitar que ela tenha um vocabulário mais amplo. Portanto, um clube de leitura infantil pode ser uma ótima opção para os novos tempos em que a família está mais reunida – e em casa. 

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