CIOP acelera melhorias no transporte público de Londrina
Centro de Inteligência Operacional une concessionárias e poder público. Modelo é inédito no Brasil e começa a ser seguido em outras cidades
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 2026
Centro de Inteligência Operacional une concessionárias e poder público. Modelo é inédito no Brasil e começa a ser seguido em outras cidades
Aline Machado Parodi - Especial para FOLHA 

Há dois anos, Londrina opera um modelo inédito de gestão do transporte coletivo que vem transformando a forma como linhas, horários e atendimento à população são planejados e executados. O CIOP (Centro de Inteligência Operacional de Londrina), implantado pelas concessionárias em conjunto com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), reúne em um mesmo espaço planejamento estratégico e monitoramento em tempo real da frota que circula pela cidade.
O sistema estava previsto no edital de concessão. “Isso é projeto desde lá de 2020, que vem se amadurecendo, vem se construindo. Ainda estamos construindo, amadurecendo e melhorando.”, afirmou Rogério Martins, diretor executivo da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina).

O CIOP é dividido em duas áreas principais. No setor de planejamento, equipes da CMTU e das concessionárias (TCGL e Londrisul) analisam o desenho das linhas, a quantidade de ônibus necessária, os intervalos entre viagens e o fluxo de passageiros em cada região. Estudos técnicos consideram variáveis como tempo de trajeto, demanda por bairro e capacidade da frota.
A equipe de planejamento do CIOP define, por exemplo, quantos veículos devem atender determinada linha, qual a frequência ideal nos horários de pico e como equilibrar a oferta entre regiões com maior ou menor movimento.
Já na sala de monitoramento, a operação ocorre em tempo real. Um grande painel exibe todos os ônibus em circulação. Cada veículo é representado no sistema com informações sobre prefixo, linha, sentido e motorista. Quando está dentro do horário previsto, aparece em verde; atrasos ou adiantamentos são imediatamente sinalizados.
Hoje, com cerca de 35 profissionais atuando de forma integrada, o centro funciona como um sistema de retroalimentação: o monitoramento aponta falhas ou gargalos; o planejamento reavalia e ajusta a programação. Se o problema for pontual, resolve-se no mesmo dia. Se for recorrente, volta à mesa de planejamento para revisão estrutural. “O diferencial é trabalhar com dados, não apenas com percepção”, destaca Martins.
O analista de monitoramento, Odair Marino Picolo, foi motorista de ônibus por 10 anos e essa experiência o auxilia na tomada de decisão durante o monitoramento da frota. “Trabalhamos para mitigar os problemas. Tenho a visão mais ampla de tudo. Hoje eu olho [telas de monitoramento] e já sei se ele [ônibus] vai chegar no horário ou não. A experiência que tive lá fora me mantém aqui todos os dias”, disse Picolo.

Segundo o diretor operacional da TCGL, Daniel Martins, a empresa se preocupou em trazer para a equipe do CIOP profissionais da boleia para que houvesse uma interação com os motoristas. “Ele tem a visão macro do sistema e assim consegue dar esse suporte ao motorista”, afirmou o diretor.
Tecnologia inédita na América Latina
O sistema adotado em Londrina é fornecido pela empresa americana Clever Devices e é apontado como o primeiro centro com esse modelo na América Latina. A tecnologia já é utilizada em cidades como Nova York e Chicago, além de operações de grande porte como o complexo da Disney World e países europeus, como a Itália.
No Brasil, sistemas semelhantes estão em fase de implantação em outras cidades, como São Paulo, mas Londrina saiu na frente ao reunir, no mesmo ambiente físico, concessionárias e órgão gestor.
Com o sistema ainda em fase de aprimoramento e novas funcionalidades previstas, o Centro de Inteligência Operacional consolida-se como o principal instrumento de gestão do transporte público de Londrina, conectando planejamento, fiscalização e atendimento ao usuário em um único fluxo de informações.


