FOLHA CONFERE| Termômetro infravermelho causa câncer?


Lara Bridi (estagiária)*
Lara Bridi (estagiária)*

 

Uma notícia falsa circulou na internet nas últimas semanas afirmando que termômetros de tecnologia infravermelho seriam prejudiciais a saúde por causar câncer, problemas neurológicos e danos à glândula pineal. Esse tipo de termômetro se popularizou entre estabelecimentos comerciais durante a pandemia da Covid-19, uma vez que é possível ser utilizado à certa distância do cliente e de forma rápida. Porém, por não ter seu uso difundido antes da pandemia, muitas inseguranças surgiram acerca de seus efeitos sobre o corpo humano. 


FOLHA CONFERE| Termômetro infravermelho causa câncer?
 



A Folha de Londrina conversou com o professor de Física Doutor Marcello Costa, que elucidou possíveis dúvidas sobre o aparelho. 

 

Como o termômetro funciona? 

Os raios infravermelhos são a tecnologia que permite a aferição da temperatura. O infravermelho não passa de uma onda eletromagnética de frequência menor do que a luz visível. Já a pele humana emite calor em radiação constantemente. Segundo Costa, esse modelo de termômetro porta um sensor capaz de captar ondas na faixa de frequência do infravermelho, de forma que o instrumento “capta o calor que sai da superfície da pele humana, que  vai para esse sensor, o termômetro faz a leitura da quantidade de calor que está chegando e transforma isso em uma leitura em temperatura” – explica o professor.  



Destaca-se que o infravermelho é uma radiação bastante utilizada na área médica, como no tratamento de lesões musculares. Sua exposição ao corpo não é prejudicial à saúde desde que não utilizado em excesso, e o tempo de exposição ao infravermelho para a leitura da temperatura é muito curto para causar danos.  

 

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iStock
 



O que é o laser? 

Outra tecnologia presente em alguns aparelhos é o laser, uma pequena faixa luminosa, na maioria das vezes de cor vermelha - visível ao olho humano - que é usada como mira em alguns termômetros. O laser não tem interferência no mecanismo do instrumento, apenas auxilia na mira de quem o manuseia.  

O laser também não apresenta risco a saúde da pele, se calibrado corretamente. Porém, não é recomendado que se “faça a leitura muito perto do rosto. Não é por causa do infravermelho, é por causa do laser que pode atingir a retina”, adverte Costa. Caso os globos oculares sejam expostos por vários segundos ao feixe, pode ocorrer uma degradação nos olhos. Por essa razão, muitos optam por utilizar o termômetro nos braços do cliente, em vez do rosto. 

 

Qual a maneira correta de utilizar o termômetro infravermelho?  

Além de manter o laser calibrado, é preciso que o portador do aparelho o posicione a uma distância adequada que garanta maior precisão de aferição. Quanto mais próximo o sensor estiver da pele, menor será a área de leitura e, consequentemente, menor será a precisão. Manter o termômetro muito perto da pele pode levá-lo a indicar uma temperatura errada. A distância adequada varia conforme o modelo e marca do instrumento.  

A preferência por utilizá-lo nos braços se limita somente ao cuidado do contato do laser com os olhos, mas não há evidências de que nem o laser nem o infravermelho ameacem a glândula pineal ou causem outros transtornos a saúde.  

 

A publicação que dispersou essa informação falsa não se vale de argumentos científicos ou dados concretos, característica que deve sempre causar desconfiança ao leitor. Se você receber uma informação suspeita, não deixe de enviar para o Folha Confere por meio deste formulário (https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd38WzlKEa0f0aAzzCO29kF22I7Ii6igmzsIK9I-2L7DCYpFw/viewform) ou utilizando a hashtag #FolhaConfere nas redes sociais. 




*Supervisão de Patrícia Maria Alves (editora)

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