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Londrina

Sylvio do Amaral Schreiner - Mundo Vivo

m de leitura Atualizado em 01/08/2022, 03:53

Você é livre?

“Só faço o que quero, a hora que eu quero, do jeito que quero”; isso tem mais a ver com prisão e não com a real liberdade

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de agosto de 2022

Sylvio do Amaral Schreiner
AUTOR autor do artigo

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Aquilo que a grande maior parte das pessoas acredita que seja liberdade, não o é de fato. Há inúmeras pessoas clamando por aí que são livres, mas diante de uma análise mais detalhada é possível ver que elas de livre não têm nada, porém estão aprisionadas, e o pior nem percebem isso. Enquanto o que for ser livre não é entendido nem vivido, não há a menor chance de se haver liberdade.

O que muitos pensam que seja liberdade é poder dizer: “Só faço o que quero, a hora que eu quero, do jeito que quero” ou “Falo tudo o que me vem à cabeça, sem ligar para nada, sou assim mesmo”. Todas essas coisas têm mais a ver com prisão e não com a real liberdade.

Quando digo que esses tipos de comportamento estão mais relacionado com aprisionamento me refiro ao fato de que a pessoa acha que se fizer o que quer, a hora que quer e como quer ela é livre, mas ela nunca esteve tão presa. Está capturada a uma ditadura interna que exige que ela reaja apenas dessa maneira. Quem só faz o que deseja na forma que deseja está preso à ditadura do desejo que precisa ser realizado a qualquer custo. Como alguém poderia ser livre assim? Ninguém é realmente livre quando há algo que nos obriga a fazer alguma coisa de uma determinada forma ou ser de um jeito ou outro sem espaço para reflexão e mudanças.

No fundo, quando as pessoas ficam submetidas ao próprio desejo, seja ele qual for, sem nenhuma consideração, está havendo uma repetição, uma compulsão para se ser assim. Compulsão é quando alguém age não baseado pela própria escolha, mas porque segue um imperativo do qual não consegue se desvencilhar. Todo compulsivo está preso, aprisionado à lei do desejo que é mais forte do que a própria pessoa.

“Sou assim mesmo, só sei fazer assim”, são formas que mostram o quanto uma pessoa está presa a uma determinada fôrma, sem condições de ser diferente dependendo do contexto que está vivendo. E mais, quem acredita que precisa sempre se satisfazer, que precisa ser gratificado na vida em todos os momentos está preso à necessidade de gratificação, de ter o próprio desejo atendido sem demora. Não consegue suportar a menor frustração que vier. Em outras palavras, não consegue suportar nem lidar com a vida.

Liberdade, no entanto, implica haver possibilidade de escolhas. Quando alguém pode decidir o que quer na vida. Não há mais submissão a satisfazer isso ou aquilo, mas há uma mente que pode pensar o que realmente lhe serve. A pessoa que é livre não fica aprisionada a ter que se satisfazer em todos os momentos, custe o que custar. Pelo contrário, entenderá que há determinados custos que se faz melhor evitar para se viver melhor. Compreenderá que nem tudo se pode e que saber escolher é fundamental para decidir como será a qualidade de vida que quer ter.

Resumindo, para se ser livre é preciso lidar antes com a responsabilidade sobre as próprias escolhas. É saber aonde alguém quer chegar e o que quer ser. Não é se imobilizar tendo que satisfazer desejos tirânicos que alguém torna-se livre, contudo é se permitindo pensar e escolher o que se quer.

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A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina 

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