Há uma frase do escritor Oscar Wilde interessante para pensarmos sobre como as transformações nos fazem ser pessoas diferentes ao longo da vida. A frase diz: Desculpe, mas não reconheci você, eu mudei muito! Geralmente, quando não reconhecemos alguém pensamos que a outra pessoa mudou e por estar diferente fica irreconhecível. Porém, esta frase espirituosa nos mostra que, às vezes, nós mudamos e aquilo tudo que antes era tão conhecido já não o é mais.

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. | Foto: Shutterstock

Coisas que antes pareciam nos divertir e fazer sentido no passado uma hora não fazem mais sentido algum. Desejos que antigamente pareciam ser tão importantes podem evaporar e dar espaço para outros. Estamos sempre em mutação e isso é bom, porque somente o que está vivo pode mudar e evoluir. O que está morto não muda nunca.

Assim como interesses e desejos mudam no decorrer da vida, os relacionamentos também. Casamentos e algumas amizades também podem sofrer transformações. Muitas uniões terminam porque um ou os dois mudaram a tal ponto que aquela união não traz mais sentido. Sim, isso acontece. Pode ser que as transformações levem um a não mais reconhecer o outro.

Mudanças de carreira também são possíveis. Há gente que sempre se dedicou e investiu numa dada carreira, até com sucesso, mas chega um momento em que as transformações internas as fazem tomar outro rumo, surpreendendo elas mesmas e pessoas próximas.

Enquanto estamos vivos e nos envolvendo com a vida nós aprendemos e são justamente estas aprendizagens que nos transformam. Quanto mais vivemos mais iremos nos transformar.

O contrário - ou seja, não se permitir aprender com as experiências de vida - deixa as pessoas estancadas, sem nunca se transformar e, por isso, presas às mesmas coisas. São pessoas que estão sempre a reclamar da vida e que possuem uma visão extremamente negativa sobre tudo e todos. Creem já saber tudo e tornam-se arrogantes e chatas. Em outras palavras, são pessoas

que não mudam e, se mudam, é tão pouco que se torna imperceptível. Estão biologicamente vivas porque andam, comem e funcionam, mas não vivem verdadeiramente.

Daqui alguns anos se você as encontra elas estarão na mesma, com as mesmas ideias e pensamentos, sem nenhuma mudança. A elas sempre se reconhece.

Sylvio do Amaral Schreiner, psicanalista em Londrina

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