O que você quer para a vida esse ano?
A cor branca remete a telas em branco nas quais podemos “escrever, pintar ou desenhar” nossos planos e necessidades
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de janeiro de 2023
A cor branca remete a telas em branco nas quais podemos “escrever, pintar ou desenhar” nossos planos e necessidades
Sylvio do Amaral Schreiner 

Entramos no mês de janeiro onde se inicia a campanha do Janeiro Branco que nos alerta e nos chama a atenção para os cuidados da saúde mental. Por ser o primeiro mês do ano janeiro nos convida arefletir sobre o que queremos para o ano que começa e a cor branca remete a telas em branco nas quais podemos “escrever, pintar ou desenhar” nossos planos e necessidades. Enfim, é uma campanha que relaciona-se com começos e recomeços. Como você quer começar esse ano, essa nova possibilidade que se inicia?
A campanha desse ano promove o equilíbrio. Vivemos, como todos muito bem sabemos, numa correria frenética. Dar conta do trabalho, dos relacionamentos interpessoais, dos estudos, da saúde física, da família vem se tornando atividades cada vez mais difíceis e exige que sejamos verdadeiros equilibristas de circo para manter tudo de pé, sem cair. Mas onde encontramos o equilíbrio que tantos carecemos e que pode nos auxiliar e aliviar?
É justamente na mente, na nossa saúde mental que podemos desenvolver recursos que nos permitam lidar com a vida e todas as suas demandas de maneira equilibrada, ou seja, sem tantas oscilações. Aliás, nos dicionários a palavra equilíbrio significa algo numa posição estável, sem tantas oscilações e desvios. Quem consegue se equilibrar consegue até andar na corda bamba. E o que é a vida se não uma corda bamba?
Um grande erro que cometemos frequentemente é que esperamos que a vida se estabilize, que o mundo externo fique parado e não seja a tal da corda bamba, mas isso não tem como acontecer. O mundo está sempre mudando, sempre em movimento. Até mesmo literalmente isso é verdade. O planeta está em movimento de rotação (ao redor de si próprio) e translação (ao redor do sol) e o próprio sistema solar que estamos inseridos está em movimento. Equilíbrio, então, não é procurar algo estável lá fora, exigir que a vida nunca mude, mas criar meios de lidar com todas essas mudanças de uma maneira que não nos seja tão custosa. Para isso precisamos de saúde mental.
Na ausência da saúde mental tudo fica comprometido. Todos nossos relacionamentos, atividades e sonhos têm ligação com a nossa mente. Portanto, uma mente comprometida, sem estar cuidada, vai ter reflexos em todas as áreas de nossas vidas e como resultado vamos sofrer além da conta. Cuidar da própria saúde mental é aprender a pagar o preço justo, ou seja, a não sofrer mais do que é o necessário. Isso é ser eficiente na vida.
Equilíbrio é eficiência e precisamos ser mais eficientes na administração da nossa vida mental. Buda, há milênios chamava a atenção para o caminho do meio que poderia levar à uma vida mais satisfatória. Caminho do meio, equilíbrio são modos de se pensar numa mente bem cuidada que fique mais estável, mesmo que o mundo esteja numa mutação vertiginosa.
Caso contrário, se a mente ficar tumultuada vamos correr riscos de adoecermos severamente, de estragarmos coisas que nos são importantes e de deixar a vida intolerável. Aprendi e venho cada vez mais aprendendo com a psicanálise que cuidar da própria vida mental nos possibilita cuidar melhor da vida em geral e que isso nos dá a chance de vivermos bem melhor. Vale a pena refletir.
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A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina
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