​Entramos no mês de janeiro onde se inicia a campanha do Janeiro Branco que nos alerta e nos chama a atenção para os cuidados da saúde mental. Por ser o primeiro mês do ano janeiro nos convida arefletir sobre o que queremos para o ano que começa e a cor branca remete a telas em branco nas quais podemos “escrever, pintar ou desenhar” nossos planos e necessidades. Enfim, é uma campanha que relaciona-se com começos e recomeços. Como você quer começar esse ano, essa nova possibilidade que se inicia?

A campanha desse ano promove o equilíbrio. Vivemos, como todos muito bem sabemos, numa correria frenética. Dar conta do trabalho, dos relacionamentos interpessoais, dos estudos, da saúde física, da família vem se tornando atividades cada vez mais difíceis e exige que sejamos verdadeiros equilibristas de circo para manter tudo de pé, sem cair. Mas onde encontramos o equilíbrio que tantos carecemos e que pode nos auxiliar e aliviar?

​É justamente na mente, na nossa saúde mental que podemos desenvolver recursos que nos permitam lidar com a vida e todas as suas demandas de maneira equilibrada, ou seja, sem tantas oscilações. Aliás, nos dicionários a palavra equilíbrio significa algo numa posição estável, sem tantas oscilações e desvios. Quem consegue se equilibrar consegue até andar na corda bamba. E o que é a vida se não uma corda bamba?

​Um grande erro que cometemos frequentemente é que esperamos que a vida se estabilize, que o mundo externo fique parado e não seja a tal da corda bamba, mas isso não tem como acontecer. O mundo está sempre mudando, sempre em movimento. Até mesmo literalmente isso é verdade. O planeta está em movimento de rotação (ao redor de si próprio) e translação (ao redor do sol) e o próprio sistema solar que estamos inseridos está em movimento. Equilíbrio, então, não é procurar algo estável lá fora, exigir que a vida nunca mude, mas criar meios de lidar com todas essas mudanças de uma maneira que não nos seja tão custosa. Para isso precisamos de saúde mental.

​Na ausência da saúde mental tudo fica comprometido. Todos nossos relacionamentos, atividades e sonhos têm ligação com a nossa mente. Portanto, uma mente comprometida, sem estar cuidada, vai ter reflexos em todas as áreas de nossas vidas e como resultado vamos sofrer além da conta. Cuidar da própria saúde mental é aprender a pagar o preço justo, ou seja, a não sofrer mais do que é o necessário. Isso é ser eficiente na vida.

​Equilíbrio é eficiência e precisamos ser mais eficientes na administração da nossa vida mental. Buda, há milênios chamava a atenção para o caminho do meio que poderia levar à uma vida mais satisfatória. Caminho do meio, equilíbrio são modos de se pensar numa mente bem cuidada que fique mais estável, mesmo que o mundo esteja numa mutação vertiginosa.

​Caso contrário, se a mente ficar tumultuada vamos correr riscos de adoecermos severamente, de estragarmos coisas que nos são importantes e de deixar a vida intolerável. Aprendi e venho cada vez mais aprendendo com a psicanálise que cuidar da própria vida mental nos possibilita cuidar melhor da vida em geral e que isso nos dá a chance de vivermos bem melhor. Vale a pena refletir.

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A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina

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