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Londrina

Sylvio do Amaral Schreiner - Mundo Vivo

m de leitura Atualizado em 03/01/2022, 03:30

Não é algo que se ganha, mas algo que se conquista

Para sair do fundo do poço precisamos nos cuidar; precisamos aprender a ser para nós mesmos, o que não recebemos de fora

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de janeiro de 2022

Sylvio do Amaral Schreiner
AUTOR autor do artigo

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Na minissérie Maid (2021), da Netflix, vemos a importância de uma pessoa adulta aprender a se cuidar verdadeiramente. Baseada em fatos reais a série conta a história de uma jovem mãe de uma menina de 3 anos que vivia com um companheiro abusivo e alcoólatra. Abusada emocionalmente e quase chegando a ser vítima de violência física ela precisou trilhar por todo um labirinto dentro de si mesma e também fora de si para encontrar um lugar onde pudesse viver com dignidade. Ela negava que sofria abusos do companheiro e só quando se deu conta que tanto ela quanto a filha corriam riscos reais procurou mudar.

Imagem ilustrativa da imagem Não é algo que se ganha, mas algo que se conquista Imagem ilustrativa da imagem Não é algo que se ganha, mas algo que se conquista
|  Foto: iStock
 

Quando negamos onde estamos não temos mesmo como mudar. Como ela seria diferente já que seus pais nunca cuidaram dela propriamente? Sua mãe também havia sido vítima de vários abusos, físicos e emocionais, e não tinha a menor condição de apresentar a ela outra forma de viver. Seu pai era também alcoólatra e cometia uma série de violências.

Uma criança que nunca é cuidada não aprende a se cuidar e terá grandes chances de se envolver em relacionamentos nada saudáveis no futuro. Quem nunca se cuidou de fato não sabe se defender porque nunca foi, primeiramente, defendido. Em algum momento ela foi parar num abrigo para pessoas que sofriam violência doméstica, onde viu que inúmeras outras mulheres passavam por situações similares e aprendeu que muitas delas acabavam até mesmo voltando para seus antigos companheiros e relações doentias porque se recusavam a ver o quanto estavam numa situação verdadeiramente crítica.

Erroneamente achamos que é melhor não ver o que se passa, preferimos negar os fatos. Passar a enxergar onde realmente nos encontramos é o primeiro passo para uma mudança. Na minissérie a personagem se sente no fundo do poço. São muitas pessoas que vivem nessa situação e o que fica claro é que, por mais ajuda que uma pessoa até possa receber, se ela mesma não quiser sair do fundo do poço, nada vai mudar. Quantas pessoas no mundo não estão passando pelas mais terríveis situações? Abusos, drogas, alcoolismo, depressão, etc. Há várias circunstâncias que podem ser o fundo do poço na vida de alguém. E sair desse lugar nunca é um processo fácil.

Para sair do fundo do poço precisamos nos cuidar, precisamos ser nossos próprios pais e mães. Precisamos aprender a ser para nós mesmos, o que não recebemos de fora. Ninguém larga a droga, a bebida ou uma forma de viver empobrecedora por causa desse ou daquele tratamento apenas, larga quando se compromete com uma transformação real. Nós somos responsáveis pelo nosso bem-estar. Claro que uma pessoa numa situação desalentadora precisa de ajudados mais variados tipos: emocional, social, financeira, etc. Elas se fazem necessárias, porém se a pessoa não faz o esforço de se levantar, de agarrar a ajuda, nada vai acontecer. Se alguém estende uma mão para ajudar podemos nos firmar nela e botarmos toda a nossa força para nos levantar.

Levantar-se, crescer, expandir-se são conquistas que não vêm, como um presente do universo, mas como consequência de criarmos condições para que isso se dê. Ninguém melhora apenas porque teve a sorte de melhorar, mas porque criou dentro de si mesma as condições necessárias para viver algo novo e melhor. O desenvolvimento de alguém é algo que só ocorre quando esse alguém escolhe tal caminho. Não é algo que se ganha ou se recebe, mas algo que se conquista.

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A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina 

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