|
  • Bitcoin 152.412
  • Dólar 5,0560
  • Euro 5,2600
Londrina

Sylvio do Amaral Schreiner - Mundo Vivo

m de leitura Atualizado em 17/04/2022, 15:01

Dois demônios conversando

É nítido que se uma pessoa não tiver um mínimo de desenvolvimento mental em si ela provavelmente se desvirtua a ponto de fazer trapalhada

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de abril de 2022

Sylvio do Amaral Schreiner
AUTOR autor do artigo

menu flutuante

Uma parábola conta sobre dois demônios que andando pelo mundo e trocando ideias se deparam com um homem que trazia no rosto uma feição jubilosa e plena. Um dos demônios fica intrigado e pergunta ao outro se ele sabia o motivo para o homem estar contente daquela forma. Seu companheiro responde, como se nada fosse, que o homem havia acabado de encontrar a iluminação e que um saber havia nascido dele. O outro demônio fica dominado por uma irritação e reclama desses homens iluminados que são ameaças ao trabalho dos demônios que tentam trazer escuridão tentando apagar qualquer indício de luz. O demônio que não havia se importado então diz que não precisava haver preocupação, pois ele sabia que os homens até podiam se iluminar, mas sua ganância iria corrompe-los, fazê-los se cercar de seguidores e transformar a luz recém descoberta em instrumento de controle e poder sobre os outros. Enfim, ia virar dogmas que só servem para torturar e dominar os demais, sem espaço para liberdade e expansão. Era assim que se dava com a religião, com a política, com a ciência e em muitas outras áreas da vida humana.

. .
. |  Foto: iStock
 

Essa parábola, infelizmente, descortina algo muito triste e grave que acontece em nossas vidas. É muito fácil algo novo, quando descoberto, acabar virando uma outra coisa bem diferente do que era no princípio. É nítido que se uma pessoa não tiver um mínimo de desenvolvimento mental em si ela provavelmente se desvirtua a ponto de fazer uma bela trapalhada.

Quando Freud, criador da psicanálise, apresentou à comunidade médica e filosófica da época suas ideias revolucionarias de como se pensar a mente, ele encontrou muita resistência e ferozes ataques. Depois de algum tempo, algumas dessas mesmas pessoas que tanto atacaram a psicanalise acabaram a estudando e querendo se apossar dela, não abrindo espaço para nenhum pensamento novo que pudesse surgir dentro dela, se expandindo. Queriam transformá-la em dogmas teóricos. Ainda bem que há grupos de psicanalise muito sérios que não se deixam levar por essas atitudes.

Na política vemos pessoas que até começaram sua caminhada rumo ao governo com boas intenções, as melhores possíveis, mas que ao longo dessa jornada se deixaram corromper e repetiram os mesmos erros e equívocos de seus colegas anteriores que, inicialmente, eles tanto reclamavam. A ideia inicial até pode ser nobre, mas pode ser pervertida sem muito esforço. É decepcionante quando vemos tais casos acontecendo já que traz todo um prejuízo muito grande ao povo. Porém, isso acontece muito.

É também possível observar que quando alguém desponta em alguma área e passa a ser requisitada e possuir certa fama, muitas vezes se desvia virando alguém arrogante, cheio de menosprezo aos demais. Muitos artistas ficam assim, muitos professores universitários, muitos médicos, muitos psicanalistas e etc. E quanto mais isso ocorre mais algo muito importante que havia sido alcançado fica tão deturpado que se perde.

Não é à toa que os demônios da parábola acima terminaram não se preocupando quando encontraram um homem que havia se iluminado. A chance daquilo ser levado adiante, com respeito, com amor e cuidado para se expandir e atingir cada vez mais pessoas era muito pequena. Mais provável que aquilo se transformasse numa nova maneira de se controlar os outros e impedir a vida de transcender. Assim caminhamos, porém ainda bem que alguns tentam escapar dessa sina e constroem para si e para o mundo ao redor um roteiro diferente e bem mais favorável

****

A opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina 

Receba nossas notícias direto no seu celular! Envie também suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1