Ficamos enraivecidos facilmente com os outros e com as situações. No trânsito, então, nem se fala. Parece que está quase todo mundo com raiva todo o tempo. É só alguma coisa, até mesmo insignificante, acontecer que há xingamentos, buzinadas e gestos obscenos para todos e para tudo que é lado. Não só no trânsito, mas também na vida familiar, no trabalho e em muitos outros lugares a raiva está sempre presente e tornando tudo muito difícil. Geralmente acreditamos que são as outras pessoas e as situações que nos causam este sentimento de raiva, mas na verdade, essa raiva já existe dentro de cada um. Nós mesmos somos a fonte da raiva que sentimos.

Imagem ilustrativa da imagem A fonte de nossa raiva
| Foto: iStock

Imagine que alguém tenha te insultado. Você sentirá a raiva irromper, você vai ferver e notar que a raiva vai ser descarregada na pessoa que o insultou. Talvez você não tenha percebido, mas a raiva é sua. A outra pessoa não é a fonte dessa raiva. Talvez, o outro tenha atingido a fonte, mas se a raiva não estivesse dentro de você ela não poderia aflorar. Só aflora raiva quando ela já existe em algum lugar.

​Se você jogar um balde num poço cheio de água ele vai voltar com água dentro. Mas se o poço estiver vazio o balde retornará vazio. A água é do poço, assim como a raiva é sua. O balde, nesse caso, só ajudou a trazer a água para fora. A pessoa ou situação que te irritou fez o papel do balde. Portanto, a pessoa que te insulta está jogando um balde em você e ele sairá cheio daquilo que existe lá dentro, seja raiva ou qualquer outro sentimento.

​É importante lembrar que ninguém e nada lá fora tem o poder de fazer você sentir isso ou aquilo, apenas traz à tona o que já existe. Na situação do trânsito, mencionada acima, quando alguém fica com raiva do outro é na verdade uma raiva que já estava presente e que encontrou uma “desculpa” ou “motivo” para sair e ser expressa.

​Nesses momentos em que percebemos que estamos transbordando raiva - ou pode ser até mesmo qualquer outra emoção - é importante prestarmos atenção ao nosso mundo interno, porque é dali que está tudo vindo. A fonte é a nossa mente. O ódio, o amor, ou seja o que for, tudo vem da sua fonte e se ousarmos mergulhar dentro de nós mesmos poderemos ter a chance de compreender melhor nossos processos internos, entender a maneira como funcionamos. Com essa compreensão podemos lidar melhor com o que sentimos. Vamos saber o que é nosso e nos apropriarmos do que fazemos com o que é nosso.

​Assim, nos tornamos mais conscientes de nós mesmos e menos dependentes dos outros e do ambiente externo. Vamos nos responsabilizar mais pelos nossos atos, ao invés de jogar toda a culpa nos ombros dos outros e das situações.

O resultado de toda essa consciência é a possibilidade de viver melhor consigo e com os demais. A qualidade de vida pode ser imensamente melhorada para todos, mas para isso se faz necessário entendermos mais sobre nós mesmos e aprendermos a lidar com o que nos pertence. Caso contrário, ficaremos sempre dependentes de alguma coisa lá fora para “justificarmos” tudo o que sentimos. Viver dependente nunca é um bom negócio.

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