Imagem ilustrativa da imagem A falta de uma educação sentimental
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Um dia desses fui num fast food aqui da Avenida Higienópolis, em Londrina. O estabelecimento estava lotado, principalmente de jovens universitários. Deduzi isso devido não só às idades deles como também pelas camisetas que usavam referentes ao curso que faziam e à universidade. Nesses lugares, como a maioria sabe, não há garçons, mas você mesmo pede no balcão, recebe sua bandeja com seu pedido e vai para alguma mesa. Após comer, espera-se que você mesmo leve sua bandeja para o lugar apropriado para deixar a mesa livre para outros que irão ocupá-la. Para a minha desagradável surpresa os jovens saíram deixando para trás suas bandejas com toda uma bagunça e sujeira imensas em cima das mesas que ocupavam. Não foi só um grupo que fez isso, mas muitos, pelo que pude observar, e isto me faz refletir sobre o quanto falta educação sentimental no mundo.

Digo educação sentimental porque não se trata só de educação de boas maneiras, mas de respeito ao outro que também existe, de conseguir enxergar o outro. Quando não respeitamos espaços públicos, ocupados, ou que serão ocupados pelos demais, falta consideração pela existência do outro. Há muitas pessoas que só conseguem perceber o próprio umbigo, as próprias necessidades e não possuem um vestígio de mente que consiga conceber que os outros também têm suas necessidades e têm direito a sua vez.

A falta de uma educação sentimental é reflexo da falta de uma mente minimamente desenvolvida. Os jovens que citei acima são, enfim, jovens, e muitos vão aprender durante a vida. Não é o fim do mundo terem deixado suas bandejas e sujeiras lá em cima das mesas, mas imagine se todos, de todas as idades, em todos os lugares, tiverem esse tipo de atitude. Aliás, isso já acontece e não é à toa que o mundo está como está.

Vejo muitas pessoas desejando mudanças de políticas, de governantes, de como precisamos cuidar melhor de nossas cidades e população, mas essas mudanças extremamente necessárias não são feitas de fora para dentro, e sim, de dentro para fora. Se nós não nos mudarmos, se não transformamos a maneira com que lidamos com a vida e com os outros, nada lá fora mudará. Ficará tudo na mesma. Seja para dirigir, para andar na rua, para ir a restaurantes, para viver, precisamos de uma mente que vai moldar o tipo de relações que estabeleceremos. E mente é algo que precisa ser desenvolvido, ela não vem pronta.

Nós nascemos com um corpo e se este for bem nutrido e cuidado vai se desenvolvendo. A mente também precisa de nutrição para se desenvolver e esta nutrição se dá à medida que aprendemos a lidar com nossas emoções. Em outras palavras, crescemos quando vamos aprendendo a lidar conosco mesmos, com o que é nosso. Quando sabemos lidar de maneira mais eficiente com nossos desejos, nossas frustrações, nossas limitações, nossos sentimentos, temos a possibilidade de escolher viver melhor e assim não deixaremos para trás nossas bagunças e sujeiras. Não só nossas vidas, mas o próprio mundo tem a chance de se tornar um lugar melhor e muito mais agradável.

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