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Londrina

Sylvio do Amaral Schreiner - Mundo Vivo

m de leitura Atualizado em 20/03/2022, 15:44

A diferença entre saber e perceber

Sabemos muitas coisas nesse mundo, só que a grande maior parte do que sabemos não implica que obrigatoriamente nos damos conta

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de março de 2022

Sylvio do Amaral Schreiner
AUTOR autor do artigo

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​Fala-se muito, atualmente, sobre ecologia, proteger o meio-ambiente, efeitos climáticos, mas é curioso notar que todos esses temas são falados como se se tratasse de algo externo, algo lá fora, mas na verdade somos parte disso tudo. Não devemos cuidar da natureza apenas porque ela é boa e que dependemos dela, porém a verdade é que somos parte da natureza, ou seja, somos mais uma engrenagem dentro de tanta complexidade que é a natureza. Cuidar dela, do meio-ambiente, etc., é cuidar de nós mesmos. Todavia, isso não é sentido assim.

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. |  Foto: iStock
 

​Há inúmeras coisas que a gente sabe, mas que não percebemos. Há uma diferença. Sabemos que somos parte da natureza, mas não quer dizer que necessariamente percebemos isso. Veja uma exemplo bem simples: pergunte a qualquer fumante se ele sabe que o hábito de fumar faz mal a sua saúde. Ele prontamente e sem titubear responderá que sabe, sim, que fumar é prejudicial, mas mesmo assim ele fuma. Por que? Porque o que sabemos nem sempre coincide com o que percebemos. Caso o sujeito fumante em questão realmente percebesse os danos e os ricos de fumar, ele pararia.

​Sabemos muitas coisas nesse mundo, só que a grande maior parte do que sabemos não implica que obrigatoriamente nos damos conta. Dar-se conta de algo envolve toda nossa consciência enquanto saber algo requer apenas a intelectualidade, o pensamento lógico-racional. E ao contrário do que muitos acreditam o ser humano não é um animal tão racional assim. Até temos racionalidade e podemos desenvolver grande pensamentos lógicos, mas de fato agimos muito pouco racionalmente quando vivemos. 

​Quando nossa consciência está envolvida a gente consegue pensar com muito mais clareza e não ficamos tão submetidos aos nossos mecanismos de defesa. Em outras palavras, ficamos mais livres para realmente ver as coisas, travar contato com a realidade e não procuramos tapar o sol com a peneira. No entanto, quando é tão somente nossa intelectualidade que está envolvida na matriz de nossas atitudes ficamos cheio de arrogância, cheio de defesas que nos impossibilitam ter contato com a realidade e ver de verdade. Acabamos dividindo tudo o que experimentamos: “é a natureza lá fora, é o meio-ambiente e não mais nós mesmos”. Cria-se uma desconexão entre o que sabemos e o que somos capazes de perceber.

​Uma coisa que venho cada vez mais notando tanto no caminhar da vida quanto no meu trabalho clínico é que é apenas quando alguém percebe a si mesmo e o que vem fazendo consigo é que torna-secapaz de realmente mudar, de transformar como vem vivendo. Ao dar-se conta de que o que faz consigo está levando à sofrimentos desnecessários uma pessoa decide comprometer-se efetivamente com uma transformação. Quem permanece unicamente no terreno da intelectualidade vai saber toneladas de ideias, mas vai se sentir separado do que sabe e com certeza esperará que as mudanças sejam feitas lá fora, pelos outros. Ela mesma nada tem a ver com isso. Se insistirmos achar que a natureza está lá e nós aqui corremos sérios riscos.

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