Somente doze
A luta dos católicos londrinenses por uma Igreja sem infiltração partidária tem uma poderosa fonte de inspiração em São João Paulo II
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segunda-feira, 05 de agosto de 2019
A luta dos católicos londrinenses por uma Igreja sem infiltração partidária tem uma poderosa fonte de inspiração em São João Paulo II
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No final dos anos 40, o Partido Comunista da Polônia decidiu construir uma cidade sem Deus. Seu nome era Nowa Huta; ficava nos arredores de Cracóvia. O governo comunista levou para lá milhares de operários de todas as regiões da república. O plano era fazer de Nowa Huta, além de poderoso centro siderúrgico, a única cidade totalmente socialista do mundo. Socialista, materialista, marxista – e ateísta. Mas, apesar de não ter sido convidado pelas autoridades, Deus apareceu em Nowa Huta. Veio junto com os milhares de operários católicos. Em vez de uma cidade sem Deus, os comunistas poloneses tiveram de se contentar com uma cidade sem igreja. Aliás, uma cidade sem a igreja física. Pois a igreja espiritual não só estava presente como também tinha um líder: o jovem bispo Karol Wojtyla, da vizinha Cracóvia. Durante muitos anos, Wojtyla bombardeou as autoridades polonesas com pedidos de autorização para construir uma igreja católica em Nowa Huta. Enquanto a resposta não vinha, os operários católicos revezavam-se vigiando aquilo que os comunistas não conseguiram impedir: uma cruz de madeira erguida na cidade.
Eu pensei naqueles operários poloneses quando vi o pequeno grupo de católicos londrinenses — cerca de 40 pessoas — que na manhã do último sábado se reuniu nas escadarias da Catedral de Londrina para rezar um terço por nossa Igreja. Foi um momento de intensa espiritualidade e emoção. Sempre digo que a Catedral é o coração de Londrina; naquele momento, esse coração estava batendo mais forte, no mesmo ritmo dos milhares de católicos que assinaram a carta enviada à Nunciatura Apostólica do Brasil, pedindo providências quanto à infiltração esquerdista na Igreja.
Alguns poderiam dizer que 40 pessoas é pouca gente. Ora, além do poderoso simbolismo bíblico do número — 40 anos de exílio, 40 dias no deserto, 40 horas entre a morte e a ressurreição de Jesus —, é sabido que todas as grandes mudanças históricas começam por pequenos grupos. Aquele mesmo polonês, já eleito o papa João Paulo II, diria em certa ocasião: “Devemos defender a verdade a todo custo, mesmo que voltemos a ser apenas doze”.
Por vários anos, os operários poloneses continuaram revezando-se em pequenos grupos para guardar a cruz de madeira em Nowa Huta. Finalmente, em 1977, as autoridades comunistas cederam à insistência de Wojtyla – e foi permitida a construção de uma igreja católica na cidade. Dois anos depois, João Paulo II visitou seu país natal e disse: “Da cruz em Nowa Huta começou a nova evangelização: a evangelização do novo milênio. Esta igreja testemunha-o e confirma-o. Ela nasceu de uma fé consciente e viva e é necessário que continue a servi-la. (...) Construístes a igreja; edificai a vossa vida com o Evangelho!”
Dez anos depois, em 1989, caía o Muro de Berlim.
A Folha de Londrina generosamente resolveu me presentear com uma folga semanal, para que eu possa dedicar meus domingos a Deus e à família. Isso significa que na próxima segunda-feira não teremos Avenida Paraná. Mas não se preocupem: de terça a sábado, a coluna continua normalmente. Uma boa semana para vocês sete!


