Quando preciso revigorar minha fé na inteligência e no coração humano, costumo recorrer aos pensamentos de um escritor e jornalista inglês chamado Gilbert Keith Chesterton (1874-1936), um dos mais importantes nomes do catolicismo moderno. O autor de “Ortodoxia”, “Hereges” e “Tremendas Trivialidades” — para citar três entre suas mais de 100 obras — comprova que a santidade não apenas é possível, como também pode estar associada ao cachimbo e ao caneco de cerveja. Doce polemista, amado por personagens tão díspares quanto Orson Welles, Jorge Luis Borges, Margaret Thatcher e Gustavo Corção, nosso São Chesterton ainda não foi canonizado pela Igreja, mas há muito tempo frequenta o altar do coração de seus leitores. Amigos, isto é G. K. Chesterton:

Imagem ilustrativa da imagem São Chesterton
| Foto: Sociedade Chesterton Brasil/Divulgação

Homens corajosos são vertebrados: têm a maciez na superfície e sua firmeza está no meio. Mas esses covardes modernos são crustáceos: sua dureza está toda na casca e sua moleza está dentro.”

Se o Universo do materialista é verdadeiro, então tem pouco de Universo. Pode movimentar-se e expandir-se sem cessar, mas nem na sua mais remota galáxia encontraremos nada de interessante, nada que se pareça, por exemplo, com o perdão ou a liberdade.”

Sempre me pareceu que a vida é, acima de tudo, um conto. E isto implica a existência de um narrador.”

Para entrar na Igreja, é preciso tirar o chapéu, não a cabeça.”

O homem está feito para duvidar de si mesmo, não para duvidar da verdade, hoje os termos inverteram-se.”

Somos cristãos e católicos, não por adorarmos uma chave, mas por termos transposto uma porta e termos sentido a brisa da liberdade sobre uma terra maravilhosa.”

“‘O Céu e a Terra passarão, mas minhas palavras não passarão.’ A civilização romana parecia dominar tudo, e os homens não pensavam que tivesse fim, como não podiam pensar que a luz do Sol se apagasse. Mas Roma passou e as palavras de Cristo não passaram. Depois, a religião esteve tão bem inserida na malha do feudalismo que ninguém poderia imaginar que se separariam. Mas o feudalismo e a Idade Média desapareceram, e a promessa divina perdurou através do radiante Renascimento. Pensou-se que a religião pereceria sob a intensa e cegante luz do Século das Luzes, mas não foi assim. E quando os historiadores começam a estudá-la como um fenômeno do passado, eis que assoma subitamente no futuro.”

Quem está em contato com a Igreja vivente é como quem espera-se encontrar-se com Platão e Shakespeare todos os dias, no almoço, com novas verdades desconhecidas.”

Ninguém podia imaginar que Deus viesse viver entre os homens e conversasse com funcionários romanos e cobradores de impostos. Mas a mão de Deus que tinha moldado as estrelas converteu-se de repente na mãozinha de uma criança que choraminga num berço.”

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