“Paulo,

Meu nome é Renato. Sou empresário, nasci em Londrina e moro há 20 anos em Belo Horizonte. Há algum tempo, mesmo a distância, leio suas crônicas e acompanho a sua luta. Também sou católico, casado e tenho uma filha pequena. Minha irmã, professora universitária e catequista, mora em Londrina. No último domingo, estive aí na cidade para o batismo de minha sobrinha, da qual eu e minha esposa fomos padrinhos.

Imagem ilustrativa da imagem Perdi minha mãe para o PT
| Foto: iStock

O batismo sempre é uma ocasião de alegria, não é mesmo? E desta vez não foi diferente. A cerimônia, rica de espiritualidade e beleza, emocionou a todos. No entanto, faltava alguma coisa. Aliás, faltava alguém. Não estava ali uma pessoa importantíssima para este momento: a avó. Minha mãe.

Eu sei que sua mãe partiu há alguns anos, Paulo. Mas não se trata da mesma ausência. Infelizmente, há mais ou menos três anos, a minha mãe se afastou completamente da família. E isso aconteceu em circunstâncias que me enchem de revolta e tristeza.

Meus pais se separaram quando eu e minha irmã éramos crianças. Meu pai, falecido há alguns anos, sempre foi muito ausente. Minha mãe nos criou praticamente sozinha. Uma mulher batalhadora: trabalhou, estudou, formou-se, até se aposentar como servidora pública. Foi quando começou a estudar Teologia. Tudo parecia normal.

De repente, minha irmã começou a relatar alguns comportamentos estranhos de nossa mãe. Sempre que era convidada para almoçar, minha mãe vinha com um padre, um padre jovem, de uma paróquia distante. Pareciam, no dizer de minha irmã, “namoradinhos”.

Vizinhos passaram a comentar que minha mãe chegava em casa à noite, acompanhada do padre. Na geladeira de seu apartamento, produtos à base de leite — e minha mãe tem intolerância a lactose. No cesto de roupas para lavar, roupas do padre. Nas postagens de minha mãe nas redes sociais, inúmeras publicações em defesa do PT, do MST e das causas de esquerda.

Eu me enfureci. Descobri o celular do padre, marquei um encontro com ele e peguei um avião para Londrina. Nossa conversa foi rápida, no máximo cinco minutos. Terminei meu cappuccino, olhei nos olhos dele e disse: “Nunca mais apareça na casa de minha mãe”.

Quando voltei para Belo Horizonte, minha mãe me ligou. Suplicou que eu não fizesse nenhum mal ao padre, que não o denunciasse aos superiores. Eu me sensibilizei, mas esse foi o fim do nosso relacionamento. Minha mãe perdeu completamente o contato com a família. Não fala mais comigo, não fala mais com minha irmã, não se interessa mais pela minha filha e, como eu já disse, nem compareceu ao batismo da netinha mais nova.

Continuo católico. Vou à missa, frequento os sacramentos, faço minhas orações, tento manter viva a minha fé. Mas me senti muito triste com a ausência dela no último domingo. É desalentador saber que ela valoriza mais as causas do PT e a relação com aquele padre militante do que a convivência com a própria família.

Reze por minha mãe, Paulo.”

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