“As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana...”


Com esses quatro versos Camões inicia “Os Lusíadas”, obra-prima imortal da nossa língua. “Taprobana” é o nome que os antigos navegadores davam à ilha do Ceilão, atualmente conhecida como República Democrática Socialista do Sri Lanka.


Neste Domingo de Páscoa, o Sri Lanka foi cenário de um massacre que tirou a vida de 207 cristãos e deixou 450 feridos em igrejas católicas e hotéis turísticos do país asiático. Oito explosões em três cidades cingalesas foram cuidadosamente planejadas para ocorrer no momento em que os cristãos celebravam a ressurreição de Jesus Cristo. Não pode haver nada mais simbólico e evidente: os fiéis do Sri Lanka foram vítimas da cristofobia.


Notre-Dame era um sinal do que já está acontecendo em todo o mundo: de longe, o cristianismo é a religião mais perseguida do planeta, e os massacres tendem a se multiplicar.


De acordo com a organização Open Doors, que monitora as perseguições aos cristãos em todo mundo, nos primeiros meses deste ano 4.136 cristãos foram assassinados e 2.625 foram presos unicamente por expressarem a sua fé. No mesmo período, 1.266 igrejas cristãs foram atacadas com incêndios criminosos e depredações.


De 2018 para 2019, cresceu 14% o número de cristãos que foram vítimas de algum tipo de ataque contra sua fé, incluindo protestos violentos, censuras, ameaças, agressões, prisões, incêndios, episódios de vandalismo, depredações e homicídios. No mundo todo, 245 milhões de cristãos sofreram perseguições — ou seja, um entre cada nove fiéis.


Esses dados referem-se apenas aos 50 países com índices mais altos de perseguição, numa lista encabeçada pela Coreia do Norte, do qual também fazem parte a China, a Rússia e o Sri Lanka, palco dos terríveis acontecimentos desta Páscoa.


A resposta ao ódio não é o ódio: é o enfrentamento. Eis o sentido profundo do famoso conselho de Jesus Cristo: “oferecer a outra face” ao agressor. Longe de ignorar o mal, temos o dever de desafiá-lo face a face, sem fugir nem contemporizar. Continuaremos lotando as igrejas e manifestando a nossa fé, em todos os lugares do mundo.


Nos países ocidentais, a perseguição ao cristianismo assume outro estilo, menos direto mas igualmente insidioso: trata-se da perseguição cultural, disfarçada de laicismo, que visa a eliminar todas as manifestações públicas da fé, relegando-a para o âmbito privado e pessoal. Retiram cruzes dos locais públicos, proíbem missas e cultos nas universidades, censuram o nome de Deus, silenciam o Pai-Nosso — tudo com o objetivo final de fazer o cristão sentir vergonha de sua própria fé.


Mas o Cristo-Palavra, que passou muito além da Taprobana, fundamento a nossa civilização, não se calará jamais. Até as pedras clamarão.


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