Imagem ilustrativa da imagem Olavo e Bernardo, os guerreiros
| Foto: 'Eles estão no meio de nós'/Equipe de produção/Divulgação

“Caminante, son tus huellas

el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.”
(Antonio Machado, poeta espanhol)

Aprendo muito com esses guerreiros aí da foto. O mais baixo tem 72 anos e mora em Richmond, Virgínia. O mais alto tem 31 anos e mora em Londrina, Paraná. Ambos travam uma guerra feroz e quase solitária contra inimigos incomparavelmente mais ricos e poderosos. O campo de batalha de Olavo de Carvalho é a Cultura. O campo de batalha de Bernardo Pires Küster é a Fé. Há alguns dias, eles se encontraram na Virgínia e tiveram uma conversa memorável, que em breve poderá ser vista no filme “Eles estão no meio de nós”.


Olavo não tem armas convencionais, a não ser aquelas que usa para lazer no quintal de sua casa. As armas de Olavo são a inteligência e o coração — coração aqui entendido não como sinônimo de sentimento, mas como centro da consciência individual. O único exército que Olavo comanda é ele mesmo. Eis a sua grande força: ele não pode ser demitido, nem silenciado. Para usar o termo consagrado por Nassim Nicholas Taleb, vejo em Olavo a figura do “antifrágil” por excelência. Ele cresce com os ataques, fica mais forte com as situações adversas.


Penso em algum equivalente histórico e só consigo encontrar um: o escritor russo Aleksandr Soljenítsin (1918-2008). No primeiro volume de “Arquipélago Gulag”, Soljenítsin diz a si mesmo quando cai nas mãos da polícia secreta soviética: “A partir de agora, sou um homem morto”. Acabaram-se ali a infância, a juventude, a velhice, o passado, o futuro, o trabalho, os sonhos e os desejos. Soljenítsin só tinha uma certeza: “Sou um homem morto”. Se pensa assim, um homem está salvo. Isso permitiu a Soljenítsin lutar solitariamente contra um império monstruoso, tornando-se por fim um dos maiores literatos de nosso tempo. Os embates de Soljenítsin com os caluniadores e esbirros do seu tempo — culminando com a sua expulsão da União Soviética, em 1974 — estão descritos na obra “O Carvalho e o Bezerro”.


A extrema-imprensa e a mídia global reservam a Olavo um tempo e um espaço enormes — só para dizer que ele é “irrelevante”. Chamam-no de “guru”, “ideólogo”, “terraplanista” e “astrólogo”. Seria o equivalente a chamar Machado de Assis de “entregador de doces”, “censor” ou “funcionário público”. Olavo é o mais importante intelectual brasileiro vivo, o nosso maior escritor em atividade e o educador de toda uma nova geração. Seus livros continuarão sendo lidos daqui a cem anos, quando os seus críticos estarão irremediavelmente esquecidos. Ninguém mais se lembra de Brejnev; Soljenítsin continua sendo lido e admirado.


Bernardo Pires Küster tornou-se igualmente temido e execrado por dizer a verdade. No caso, a verdade sobre o aparelhamento ideológico da Igreja, tema do filme “Eles estão no meio de nós”. Ontem, tive o privilégio de assistir a alguns trechos da conversa entre o Guerreiro da Cultura e o Guerreiro da Fé. Só posso lhes dizer que o filme será antológico.


Por todos esses motivos, e muitos outros, tenho orgulho de ser amigo dos dois caminhantes da foto. Na guerra espiritual, sou um soldado raso, mas não deixarei de lutar — ao lado deles.

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